A Raízen registrou prejuízo líquido de R$ 15,6 bilhões no terceiro trimestre do ano-safra 2025/26, resultado seis vezes superior ao apurado no mesmo período do ciclo anterior. No acumulado dos nove primeiros meses do ano-safra, a companhia soma prejuízo de R$ 19,8 bilhões, ante perda de R$ 1,6 bilhão no ano anterior.
Ao fim do trimestre, a dívida líquida da companhia alcançou R$ 55,3 bilhões, alta de 43,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. Fontes do mercado afirmam que a companhia pode pedir recuperação judicial em breve.
A receita líquida entre outubro e dezembro totalizou R$ 60,4 bilhões, queda de 9,7% na comparação anual. No acumulado do ano-safra, a receita recuou 11,7%, para R$ 174,5 bilhões.
O resultado operacional no trimestre foi negativo em R$ 4,4 bilhões. No mesmo período do ano anterior, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) havia sido de R$ 2,5 bilhões. No acumulado do ano-safra, o Ebitda caiu 95,1%, passando de R$ 11,9 bilhões para R$ 579,8 milhões.
A companhia manteve seu mix de 44% para a produção de açúcar e 56% para o etanol. A queda da moagem no ano-safra se deve, segundo a empresa, a condições climáticas que afetaram o desenvolvimento do canavial e também ao desinvestimento da companhia.
Simplificação e redução de investimentos
Em comunicado, a empresa afirmou que “simplificou a companhia em diversos aspectos (…) com destaque para os desinvestimentos já anunciados, que representam aproximadamente R$ 5 bilhões em caixa, além da saída de determinadas operações que resultaram na melhoria do portfólio de ativos”. A companhia já realizou a venda de usinas como, por exemplo, a Continental, em São Paulo, Rio Brilhante e Passa Tempo, em Mato Grosso do Sul.
Na terça-feira (10) a Mercuria Energy Group, trading suíça do setor de energia e commodities, avançou com uma oferta para adquirir uma refinaria e centenas de postos de combustíveis da Raízen na Argentina, de acordo com reportagem da Reuters. A transação pode ultrapassar US$ 1 bilhão, embora nenhum acordo vinculante tenha sido assinado até o momento.
A companhia também informou que “reduziu o nível de investimentos em cerca de R$ 3 bilhões para este ano safra, quando comparamos com o ano-safra anterior, em linha com o Plano de Investimentos de 2025/26. Em 31 de dezembro de 2025, a Companhia detinha R$ 17,3 bilhões em caixa e aplicações, mais de 90% com liquidez imediata”.
Nesta semana, a Moody’s Local Brasil rebaixou o rating corporativo da Raízen de ‘AAA.Br’ para ‘CCC+.Br’, com a perspectiva alterada de “negativa” para “em revisão para rebaixamento”. A decisão ocorreu dois dias após a S&P Global e a Fitch Ratings também reduzirem a nota de crédito da companhia.
Segundo a empresa, após o rebaixamento de seus ratings de crédito pelas principais agências, foram adotados procedimentos contábeis que resultaram no reconhecimento de um impairment de R$ 11,1 bilhões.
O ajuste decorre da revisão das premissas utilizadas nos testes de recuperabilidade de determinados ativos, incluindo tributos diferidos e a recuperar, ágio por rentabilidade futura e outros ativos não financeiros. A companhia informou que essas provisões não têm efeito caixa e poderão ser revertidas futuramente, caso haja melhora nas condições macroeconômicas do setor e avanço no reequilíbrio de sua estrutura de capital.
Ainda de acordo com o comunicado, “diante desse contexto, a Companhia selecionou assessores financeiros e legais . Esse processo está sendo conduzido em conjunto com os acionistas controladores, que se comprometeram em contribuir capital dentro de uma solução consensual, estruturante e de maneira definitiva”.
Em meio à deterioração do perfil financeiro, a Raízen informou , também esta semana, que contratou os escritórios Pinheiro Neto e Cleary Gottlieb como assessores “com o objetivo de conduzir uma avaliação de alternativas estruturais que mantenham a sua viabilidade e competitividade no longo prazo e interagir com os investidores da Companhia”.
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Fonte : CNN