A saída do ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), da relatoria do caso que investiga fraudes no Banco Master representa uma vitória para a PF (Polícia Federal), após uma série de embates entre as instituições. A avaliação é do analista Teo Cury, no CNN Prime Time, que destaca que a mudança traz um alívio temporário, mas que os próximos passos da investigação serão determinantes.
A investigação, que apura fraudes em torno de R$ 12 bilhões do Banco Master de Daniel Vorcaro, ganhou novos contornos nas últimas 24 horas, após a revelação de que havia menções ao ministro nas conversas encontradas no celular do banqueiro investigado.
O caso gerou uma nota do STF unido em torno do respeito ao ministro, mas ao mesmo tempo resultou no afastamento dele do caso com a decisão de redistribuir a relatoria do processo. A pressão aumentou quando o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, entregou pessoalmente um ofício ao presidente do STF, ministro Luiz Edson Fachin, sobre o caso.
Histórico de embates entre Toffoli e a PF
Segundo o analista, os conflitos entre Toffoli e a Polícia Federal foram frequentes durante a condução do caso. Entre os episódios de tensão, Cury cita que o ministro determinou a cariação (medida cautelar) sem que houvesse depoimento, decisão da qual recuou diante da insatisfação da PF e da PGR (Procuradoria-Geral da República).
Outros momentos de atrito incluíram a determinação para que materiais apreendidos ficassem selados no STF, tirando a PF da análise, e a escolha de quatro peritos específicos para acompanhar o caso, ignorando os protocolos da corporação. Houve ainda uma cobrança pública do ministro acusando a PF de atuar com “falta de empenho e inércia”, o que teria indignado o diretor-geral da Polícia Federal.
A definição do novo relator será fundamental para determinar se o alívio será duradouro e qual será o futuro rumo das investigações. “O rumo das investigações é que vai dizer se haverá ou não um alívio para o STF nesse caso”, concluiu o analista.
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Fonte : CNN