Uma cena do BBB 26 marcou o público nos últimos dias: o choro de Maxiane com a eliminação de Sarah Andrade. Apesar de emoções serem o motor do jogo, o choro da pernambucana fez com que sua maquiagem derretesse a ponto de viralizar nas redes sociais.
Com a repercussão, muitos perfis de conteúdo e marcas de cosméticos correram para mostrar técnicas de blindagem para evitar que a make escorra. No entanto, a maioria desses testes é feita apenas com água, o que pode ser enganoso. “Lágrima é bem diferente de água pura”, explica a dermatologista Carolina Haddad, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz. “A lágrima é uma solução biológica complexa, formada por sais, proteínas e gordura. O contato dessas substâncias com os produtos de maquiagem pode gerar interações muito diferentes das que vemos com a água.”
A complexidade da lágrima
A Dra. Ione Alexim, oftalmologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, explica que a lágrima é composta por três camadas essenciais:
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Externa: produzida pelas glândulas de Meibômio, tem como função diminuir a evaporação e estabilizar o filme lacrimal;
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Intermediária e aquosa: composta por água, eletrólitos e proteínas, visa hidratar, nutrir e garantir a defesa imunológica da córnea.
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Interna: composta por mucina proteica, responsável por fazer com que a lágrima “grude” na córnea.
O corpo ainda produz lágrimas para três finalidades distintas:
- Lágrima basal: é a produção contínua e em pequena quantidade, que faz a manutenção para o olho se manter lubrificado. É um composto mais estável, fina e com produção e drenagem equilibrada;
- Lágrima reflexo: que são as que acontecem quando vem um estímulo externo e irritativo, nesse caso, é uma produção grande na tentativa de lavar e expulsar esse agente externo.
- Lágrima emocional: é a que gera o choro, movida pelos sentimentos como tristeza, alegria e dor. É ativada peo sistema límbico como um resposta autonômica. Diferente da basal, tem mais proteínas, hormônios, neurotransmissores e o PH e a osmolaridade podem variar.
Ela esclarece que, devido ao volume intenso e à composição química da lágrima emocional, pode ocorrer uma reação que desestabiliza os polímeros da maquiagem. Eles não conseguem resistir da mesma forma que resistiriam à água pura, resultando no famoso “derretimento”. Além disso, o estado emocional pode aumentar a sudorese e a oleosidade da pele, o que compromete a durabilidade até de bases à prova d’água.
A dermatologista Carolina Haddad lembra outro fator crucial: muitas maquiagens possuem composição lipossolúvel para aumentar a durabilidade. Como a lágrima contém lipídios — substâncias presentes, por exemplo, em demaquilantes —, ela acaba reagindo com a maquiagem e facilitando sua remoção. “Uma maquiagem resistente à água não será, necessariamente, resistente à lágrima, ao suor e a outras substâncias com composições diferentes da água pura”, acrescenta a especialista.
Fatores comportamentais também pesam. A Dra. Ione ressalta que o ato de esfregar os olhos com as mãos ou lenços para secar o rosto, somado ao piscar repetitivo, diminui drasticamente a fixação. “Mesmo sendo resistente à água, a maquiagem pode escorrer por todos esses fatores combinados”, pontua a oftalmologista.
Como aumentar a resistência?
As características particulares de cada usuário, como o tipo de pele (seca ou oleosa), também influenciam. No caso da participante do Big Brother, Carolina observa um detalhe técnico: “Ela usou uma base, se não me engano, em bastão. Esse tipo de produto costuma ser mais oleoso, o que contribui para uma menor fixação”.
Embora não existam produtos 100% “à prova de choro”, alguns cuidados ajudam a minimizar o estrago em momentos de emoção:
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Preparo da pele: Uso de produtos específicos de “blindagem” e primers antes da base.
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Produtos que formam filme: Optar por itens que criem uma barreira sobre a pele e os cílios, e que sejam à prova d’água.
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Texturas resistentes: “Bases em pó acabam sendo melhores nesse quesito e são mais resistentes. O uso de fixadores pós-maquiagem também é essencial para aumentar a durabilidade”, aconselha a dermatologista.
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Fonte : CNN