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O Ministério da Agricultura propôs a criação de um sistema brasileiro de cotas para a exportação de carne bovina à China, com distribuição entre frigoríficos nacionais e escalonamento trimestral do volume autorizado para embarque. A medida vem em resposta à salvaguarda imposta pelo governo chinês, que limitou as importações de carne bovina brasileira a 1,1 milhão de toneladas em 2026.

De acordo com Luis Rua, secretário de Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, a salvaguarda chinesa é uma medida de proteção à indústria local de carne bovina da China. O Brasil participou das diversas etapas do processo, mas ao final, a China decidiu estabelecer a cota, que também está prevista para continuar em 2027 e 2028, com pequenos acréscimos.

O impacto dessa medida é significativo para o setor, considerando que a China é o principal comprador da carne bovina brasileira. “No ano passado, o país comprou aproximadamente 50% de tudo que nós exportamos de carne bovina”, destacou Rua. Em 2023, o Brasil registrou um recorde nas exportações de carne bovina, com crescimento superior a 20%.

Sistema de distribuição de cotas

O sistema proposto pelo governo brasileiro visa organizar o fluxo comercial e evitar uma “corrida desenfreada” dos frigoríficos para preencher a cota estabelecida pela China. A proposta inclui uma possível distribuição equitativa entre os estabelecimentos habilitados, inclusive com o que o secretário chamou de “reserva técnica” para novos entrantes que eventualmente sejam habilitados para o mercado chinês.

“Estamos pensando também para que haja uma equidade, que todos aqueles que têm acesso ao mercado chinês possam continuar acessando conforme as suas perspectivas”, afirmou Rua. O secretário explicou que existem diversas possibilidades em estudo para o escalonamento das cotas, que podem ser trimestrais, quadrimestrais ou até mensais.

Segundo o secretário, mais de 70% da produção de carne bovina brasileira permanece no mercado doméstico, enquanto cerca de 30% segue para exportação. Mesmo com a limitação imposta pela China, o governo brasileiro tem trabalhado na abertura de novos mercados. “Nos últimos três anos foram abertos 27 novos mercados para carne bovina. Só no ano de 2023 foram 11 novos mercados abertos”, informou.

Entre os mercados potenciais, Rua mencionou o Japão, que enviará uma auditoria ao Brasil em março com possibilidade de abertura até o final deste ano, e a Coreia do Sul, onde uma missão presidencial buscará avançar nas negociações sanitárias. O secretário afirmou que a indústria brasileira de carne bovina está completamente preparada para atender os padrões internacionais, “sejam eles quais forem e os mais exigentes possíveis”.

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Fonte : CNN

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