O caso Epstein envolve o empresário Jeffrey Epstein, criminoso sexual condenado, que morreu em 2019, e foi acusado de comandar, ao lado de Ghislaine Maxwell, uma rede internacional de exploração e tráfico sexual de menores.
Epstein mantinha relações com políticos, empresários e celebridades, o que fez com que milhões de documentos judiciais, como e-mails, mensagens e registros de agenda, passassem a ser analisados após sua morte na prisão, em 2019. Esses arquivos citam pessoas do mundo todo, e ser mencionado não significa envolvimento criminal, mas indica algum tipo de contato, referência ou conversa registrada. Entre esses registros, aparecem nomes de brasileiros e instituições do Brasil, o que gerou grande repercussão.
Um dos nomes mais detalhados é o do arquiteto Arthur Casas. Documentos mostram trocas de mensagens entre funcionários do estúdio dele e pessoas ligadas a Epstein sobre uma possível reforma na ilha particular do milionário, no Caribe.
Casas chegou a fazer uma visita técnica ao local, acompanhado de uma arquiteta, mas o projeto não avançou e não há qualquer acusação criminal contra ele. O próprio arquiteto confirmou o contato profissional e negou qualquer envolvimento ilícito.
O empresário Eike Batista também aparece em e-mails. Em uma mensagem, alguém apenas informa que ele estaria presente em determinado local.
Em outra, Epstein comenta dificuldades financeiras do empresário ao discutir um projeto portuário no Brasil. A ex-mulher de Eike, Luma de Oliveira, é mencionada em uma troca de mensagens entre Epstein e o ex-agente de modelos Jean-Luc Brunel, sem qualquer indício de crime. As menções são indiretas e ligadas a negócios e comentários pessoais.
Os arquivos citam ainda o Brasil em conversas envolvendo Ian Osbourne, investidor e amigo de Epstein. Ele relata encontros com a família Marinho, dona da Rede Globo, e menciona que falaria com os “Marino”, em referência provável e equivocada ao Banco Itaú, que pertence às famílias Setúbal e Moreira Salles. Não há qualquer associação dessas empresas com os crimes de Epstein, apenas registros de encontros e agendas.
Outro ponto envolve o médium João de Deus, que já foi condenado no Brasil por centenas de crimes sexuais. Um e-mail de 2020 menciona o suicídio da ativista Sabrina Bitencourt, que denunciava abusos cometidos por ele. A mensagem relata uma acusação feita por ela de que Epstein teria lhe oferecido dinheiro no passado. O conteúdo aparece como relato entre terceiros e não foi comprovado judicialmente, mas conecta dois casos que chocaram a opinião pública.
Os ex-presidentes Jair Bolsonaro e Lula também surgem nos documentos. Dentre os mais de 20 mil documentos divulgados sobre o caso do empresário, uma troca de e-mails de 2018, mostra que ele elogia o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro (PL), chamando-o de “o cara”. Na época, Bolsonaro disputava a Presidência.
A pessoa com quem o Epstein conversa não é revelada no documento. O empresário também cita nos e-mails que conversou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por telefone, em uma ligação mediada pelo linguista e ativista norte-americano, Noam Chomsky, enquanto o petista estava preso em Curitiba.
O nome de Luciana Gimenez surgiu em novos registros divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, que estariam ligados ao caso do empresário. Os documentos mostram transferências financeiras em que o nome da apresentadora aparece como destinatária.
No entanto, o material de 2014, 2018 e 2019, não esclarece a origem dos recursos nem estabelece uma ligação direta com Jeffrey Epstein ou com atividades criminosas. Os arquivos liberados apontam transferências que chegam a valores de cerca de US$ 12 milhões (cerca de R$ 62 milhões).
Luciana Gimenez usou as redes sociais nesta segunda-feira (9) para divulgar um comunicado sobre o suposto envolvimento no caso e negou ter conhecido o empresário.
Um vídeo de uma pegadinha exibida em um programa de Silvio Santos também foi divulgado juntamente com milhões de novos documentos relacionados ao caso.
O arquivo, hospedado no site do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, mostra imagens de atores que se escondem em um local marcado como um canteiro de obras e que jogam jatos de ar nos pedestres que passam pelo local. Algumas imagens aparecem com uma tarja preta cobrindo rostos. Ao fundo, é possível ouvir a risada marcante de Silvio Santos e as risadas da plateia. A cena se repete por diversas vezes por quase dois minutos.
Não há qualquer contexto ou informação sobre o vídeo no site do Departamento de Jusitça dos EUA.
No geral, os arquivos mostram que Epstein buscava contatos políticos, empresariais e culturais no Brasil, inclusive avaliando a compra de agências de modelos e o patrocínio de concursos de beleza como forma de aliciar jovens, segundo e-mails revelados.
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Fonte : CNN