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Segunda-feira foi um grande dia na longa — e ainda muito longe de terminar — saga dos arquivos de Jeffrey Epstein.

Isso porque poderemos começar a aprender mais sobre as omissões controversas do DOJ (Departamento de Justiça dos EUA), quando os legisladores tiverem a oportunidade de revisar os arquivos sem as omissões.

Um destacado democrata da Câmara, o deputado Jamie Raskin, de Maryland, disse na tarde de segunda-feira (9) que ele havia revisado os documentos sem as omissões e viu “toneladas de omissões completamente desnecessárias.”

“Vi os nomes de várias pessoas que foram omitidas por razões misteriosas, desconcertantes ou impenetráveis,” disse Raskin.

À medida que milhões de documentos foram vazando e sendo analisados, uma das principais questões é o que o DOJ escolheu omitir. As decisões de omissão, em muitos casos, foram além do que a legislação aprovada pelo Congresso previa.

Talvez nenhuma omissão tenha atraído mais atenção do que os co-conspiradores suspeitos descritos em documentos internos do Departamento de Justiça e outros que trocaram e-mails chamativos com Epstein.

Esses últimos casos include e-mails que parecem indicar que pessoas estavam avaliando e até recrutando mulheres ou meninas para Epstein. Em outros casos, fazem referência a comportamentos questionáveis.

As omissões geraram preocupações entre o deputado republicano Thomas Massie, de Kentucky, e o deputado democrata Ro Khanna, da Califórnia, que lideraram a iniciativa do projeto de lei que forçou a administração Trump a liberar os arquivos de Epstein.

Também geraram preocupações entre os sobreviventes de Epstein. Um deles disse à CNN que o DOJ estava “protegendo predadores”. Outro afirmou que o DOJ havia “protegido a classe Epstein com omissões generalizadas.”

Mas, na segunda-feira, os legisladores, incluindo Massie e Khanna, terão a chance de avaliar as omissões e, possivelmente, levantar quaisquer preocupações quando o DOJ começar a permitir que revisem os arquivos sem omissões.

A CNN escreveu sobre alguns desses e-mails na semana passada. O Departamento de Justiça sugeriu que qualquer omissão desse tipo se referia a mulheres ou meninas que poderiam ter sido vítimas em algum momento.

“Em muitos casos, como foi amplamente documentado publicamente, aqueles que inicialmente eram vítimas passaram a ser participantes e co-conspiradores”, disse um oficial do DOJ à CNN.

“Não omitimos nomes de homens, apenas de vítimas femininas.” Nomes do FBI e de outros membros da aplicação da lei também foram omitidos, acrescentou o oficial do DOJ.

Então, quais documentos são questionáveis? Abaixo estão alguns exemplos notáveis.

  • O primeiro caso é um e-mail enviado a Epstein em 2014, cujo rementente foi ocultado. A mensagem, no entanto, deixa claro que não se trata de uma vítima: “Obrigado pela noite divertida. Sua menininha foi um pouco travessa”.
  • Em um e-mail de 2018, um remetente omitido envia um e-mail para Epstein: “Encontrei pelo menos três jovens muito boas, pobres, mas estávamos tão cansados.” O remetente então sugere que o assunto do e-mail eram mulheres ou meninas: “Conheça esta aqui, não é a rainha da beleza, mas nós dois gostamos muito dela.”
  • Em um e-mail de 2017, um remetente omitido envia um e-mail para Epstein: “Conheci [OMITIDO] hoje. Ela é como a Lolita de Nabokov, uma miniatura feminina 🙂 Então agora eu deveria te enviar apenas as candidatas desse tipo?” “Femme miniature” em francês se traduz literalmente como mulher pequena. “Lolita de Nabokov” refere-se ao romance de 1955 de Vladimir Nabokov sobre um homem de meia-idade que se apaixona por uma garota de 12 anos e a abusa sexualmente. (O avião de Epstein foi frequentemente chamado de “Lolita Express” devido às alegações de que era usado para explorar meninas).
  • Uma das maiores notícias que surgiram do mais recente vazamento de documentos foi que finalmente vimos um rascunho de acusação de Epstein dos anos 2000, antes de ele escapar com um acordo vantajoso. O rascunho da acusação é particularmente notável porque inclui três co-conspiradores que os promotores aparentemente consideraram acusar. Os co-conspiradores são descritos como sendo empregados de Epstein, mas seus nomes estão omitidos.
  • Os documentos também incluem um gráfico, aparentemente da polícia, que mostra Epstein, sua cúmplice Ghislaine Maxwell e sua assistente de longa data Lesley Groff (cujo primeiro nome está grafado erroneamente como “Leslie”). O advogado de Groff disse à CNN que sua cliente não tinha comentários. Estão omitidos os nomes de três empregados e uma “namorada” de Epstein, que as autoridades acreditavam que poderiam estar recrutando para Epstein e, em alguns casos, participando de crimes de outra forma. Diz sobre uma delas: “Não se sabe se ela era diretamente responsável por recrutar meninas, mas pelo menos 10 meninas afirmam que ela é o ponto de contato direto para agendar os compromissos de massagem dele.”
  • Em um e-mail de 2017, uma pessoa omitida envia para Epstein informações detalhadas sobre mulheres a serem consideradas para uma oportunidade não especificada.

    Uma delas é descrita como querendo “muito o emprego. Mas não tão bonita quanto outras candidatas.” Outra é rotulada como “not muito jovem, mas bonita e dedicada, bem-educada e simples, não ambiciosa.”

  • Em uma longa troca de e-mails de 2015 entre Epstein e um interlocutor omitido, Epstein pergunta: “Alguma amiga para o Jeffrey enquanto você está se recuperando?”

    A pessoa responde citando uma amiga próxima descrita como “Garota doce. 20 anos. Americana.” (Epstein responde que a pessoa se parece com o remetente, sugerindo que o e-mail incluía uma foto.) A pessoa então cita outra: “Ela é australiana, super legal, 23 anos, muita diversão ;)) (garota de cabelo escuro na foto).” A pessoa depois acrescenta: “Sempre penso em você quando estou conhecendo novas garotas.” E então: “E esta aqui é (eu acho) totalmente a sua garota. … Acabei de mandar uma mensagem para ela para saber como está.”

  • Em um e-mail de 2009, Epstein escreve um e-mail breve para um destinatário omitido que inclui as palavras: “Onde você está? Está tudo bem? Adorei o vídeo de tortura.”
  • Em um e-mail de 2013, um remetente omitido de uma agência de modelos escreve para Epstein: “Nova brasileira acabou de chegar, sexy e fofa, 19 anos.” O e-mail parece vir com imagens anexadas. (A CNN entrou em contato com a agência de modelos.) Em outras versões do mesmo e-mail divulgadas pelo DOJ, a afiliação do remetente com a agência de modelos foi omitida. Algumas versões do e-mail também incluíam um sinal de “=”, no lugar do “1” – os arquivos contêm muitos documentos com “=” no lugar de caracteres – o que levou algumas pessoas a acreditar que o e-mail se referia a uma menina de 9 anos. Mas não era.
  • Em um e-mail de 2014, um remetente omitido envia um e-mail para Epstein: “Eu não aguento mais!!!!!!! Acabei de ver a menina mais linda na Madison, com longos cabelos loiros e macios.”
  • Em um e-mail de 2018, um remetente omitido escreve um e-mail que inclui uma imagem, mas que aparece como uma imagem quebrada no arquivo que foi liberado.

    “Minha favorita da Lituânia, [OMITIDO], 19 anos. Vou encontrá-la quando estiver lá,” diz o remetente.

    Epstein responde: “nome completo, Instagram?”

  • Em um e-mail de 2013, uma pessoa omitida envia um e-mail para Epstein sem texto, mas que inclui uma foto de uma mulher posando com uma camiseta da SpaceX. O rosto da pessoa está bloqueado.,
  • Em um e-mail de 2015, um remetente omitido envia um e-mail para Epstein sobre garotas adolescentes.

    “O segredo são as garotas de 14 a 15 anos — sou um pervertido sexual porque digo que agora elas estão na idade reprodutiva?” diz o remetente.

    O remetente acrescenta: “Ser chamado de pervertido sexual não é divertido. Menos ainda se você já cumpriu pena pelo crime. Como eu não cumpri — estão me chamando disso apenas por não pedir sua morte por decapitação.”

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Fonte : CNN

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