A autonomia do BC (Banco Central) voltou a ser tema de debate político após o caso do Banco Master, mas não corre riscos de ser alterada pelo Congresso no curto prazo. Segundo o analista de Política da CNN Matheus Teixeira, mesmo com a pressão de alas do PT para revisar a legislação, o assunto não encontra respaldo suficiente entre parlamentares.
O caso do Banco Master, que passou por liquidação recentemente, reacendeu discussões sobre o papel da autoridade monetária e sua independência em relação ao governo federal. Críticos da autonomia argumentam que o modelo atual impede que políticas econômicas propostas por um presidente eleito democraticamente sejam implementadas de forma integral, já que a política monetária fica sob controle de uma diretoria com mandatos fixos e tem ligação com a gestão anterior.
Debate político sem força no Legislativo
Segundo o analista da CNN, o tema divide opiniões na sociedade, mas atualmente os defensores da autonomia são maioria no Congresso. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), já declarou que não pretende pautar a revisão da autonomia do Banco Central, sinalizando que o assunto não avançará no Legislativo.
A autonomia do BC permite que seu presidente tenha mandato independente do chefe do Executivo. Isso explica por que Roberto Campos Neto permaneceu à frente da instituição durante parte do governo atual, mesmo tendo sido indicado pela gestão do presidente Jair Bolsonaro (PL). Da mesma forma, Gabriel Galípolo, atual presidente do BC, continuará no cargo independentemente de quem vencer as eleições de 2026.
Defensores da autonomia argumentam que este modelo protege decisões técnicas de interferências políticas, como ocorreu no caso do Banco Master, quando a liquidação pôde ser determinada sem pressões externas. Por outro lado, críticos afirmam que a autonomia pode ter postergado o início da liquidação da instituição financeira, gerando um rombo maior.
Teixeira destaca que, mesmo com a autonomia, o Legislativo mantém o poder de destituir o presidente e os diretores do Banco Central. No entanto, esse mecanismo nunca foi utilizado, mesmo quando o governo atual fazia críticas à política de juros conduzida por Campos Neto.
source
Fonte : CNN