A Ferrari apresentou oficialmente o primeiro modelo totalmente movido a eletricidade, marcando um novo capítulo na história sem abandonar a tradição. Embora a empresa siga investindo fortemente em motores a combustão e híbridos, o projeto simboliza a adaptação da marca à transição energética que transforma a indústria automotiva global.
O novo modelo foi inicialmente anunciado como Elettrica, mas acabou sendo rebatizado de Ferrari Luce — “luz”, em italiano. Ele será lançado comercialmente a partir de 2026 e não será uma edição limitada, entrando como um veículo regular da linha, embora vendido apenas sob encomenda, com prazos de entrega que podem variar bastante.
Durante um evento em Maranello, na Itália, a Ferrari mostrou o chassi pronto para produção, já com bateria e motores elétricos integrados. Todos os principais componentes do sistema elétrico, como baterias de alta tensão, eixos eletrônicos e inversores, foram desenvolvidos e fabricados internamente em uma nova área chamada de “e-building”, reforçando o controle total da marca sobre a tecnologia.
A Ferrari reduziu as ambições de eletrificação. Até 2030, a meta passa a ser uma linha composta por 40% de modelos a combustão, 40% híbridos e apenas 20% totalmente elétricos. O plano anterior previa uma participação bem maior de veículos elétricos. A decisão reflete a demanda ainda limitada por superesportivos elétricos de alto luxo.
O grande destaque do Luce está no interior, desenvolvido em parceria com o estúdio LoveFrom, liderado por Jony Ive, ex-chefe de design da Apple. O conceito vai na contramão da tendência de telas gigantes e comandos totalmente digitais. A proposta é priorizar botões físicos, controles táteis e uma experiência mais direta e envolvente ao dirigir.
O volante é um dos elementos mais icônicos. Feito de alumínio reciclado, com três raios e 19 peças usinadas por CNC, ele é inspirado em modelos clássicos das décadas de 1950 e 1960 e também nos carros de Fórmula 1. Além disso, é cerca de 400 gramas mais leve do que os volantes tradicionais da marca, reforçando a busca por desempenho e precisão.
O painel de instrumentos acompanha o movimento do volante e é montado na coluna de direção. Ele combina duas telas OLED sobrepostas, com gráficos digitais e aparência analógica, desenvolvidas em parceria com a Samsung Display. O visual remete a relógios clássicos, instrumentos de aviação e até helicópteros, facilitando a leitura rápida das informações.
Há ainda uma tela central de controle, menor do que as usadas por concorrentes como a Tesla, que pode ser ajustada para motorista ou passageiro. Ela é cercada por botões físicos para funções como ar-condicionado e aquecimento dos bancos, além de contar com um relógio que pode virar cronógrafo.
Outro detalhe curioso é a chave, que utiliza tecnologia E Ink. Ao ser inserida no compartimento do console central, ela muda de cor, do amarelo para o preto, indicando que o sistema está pronto para funcionar. Partes do interior também mudam de tonalidade conforme a posição da chave, reforçando a interação visual.
A alavanca de seleção de marchas é feita de vidro especial fornecido pela Corning, com botões físicos ao redor. As saídas de ar são de alumínio giratório, e os bancos têm visual mais sóbrio, com apoio de cabeça integrado. Aproximadamente 75% da estrutura do veículo utiliza alumínio reciclado, e o peso total deve ficar próximo dos dois mil quilos.
Em desempenho, o Luce promete números dignos da marca: potência em torno de 1.000 cv, velocidade máxima acima de 300 km/h e autonomia superior a 500 km, graças a uma bateria de 122 kWh. A revelação completa do design externo e mais detalhes técnicos está prevista para os próximos meses.
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Fonte : CNN