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A importação brasileira de cannabis medicinal alcançou novo recorde em 2025. Dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) indicam que mais de 194 mil autorizações foram concedidas para a compra de produtos ao longo do ano, um crescimento de 16,3% em relação a 2024 e o maior valor registrado desde o início da série histórica.

Outubro somou 19.710 permissões para a importação de cannabis e se consolidou como o mês de maior volume em compras. Óleos, extratos ricos em CBD, formulações full spectrum e cápsulas estão entre os produtos mais importados.

Em 2015, quando a Anvisa passou a autorizar a importação de cannabis medicinal por meio de uma resolução, foram registradas apenas 850 autorizações, número que saltou para  167.337 em 2024.

Segundo Allan Paiotti, CEO da Cannect, os números refletem uma transformação estrutural no acesso à cannabis medicinal no Brasil. “Os dados mostram que a cannabis deixou de ser uma alternativa marginal e passou a ocupar um espaço mais consolidado na prática clínica. O crescimento das autorizações indica um amadurecimento do mercado e uma maior confiança por parte de médicos e pacientes”, afirmou.

O agronegócio visualiza a situação com cautela e, embora produtores já demonstram interesse em produzir, investimentos devem se consolidar após uma regulamentação mais avançada, como nos EUA, onde há três listas para diversas substâncias e sua potencial utilização por pacientes.

“O Brasil tem uma vocação agrícola com condições de solo, clima e disponibilidade de água. Uma série de elementos que colocam o Brasil como potencial líder da produção da cannabis. Do ponto de vista legal, o uso medicinal deve ter um controle de consumo para garantir um cultivo para fins lícitos e regulamentados”, explicou o CEO.

Mesmo com potencial produtivo considerável no Brasil, os desenvolvimentos do cultivo da cannabis estão em passos iniciais. Para representantes do setor, a dificuldade regulatória consolida a avaliação do uso indevido ou recreativo, tráfico de drogas e discussões sobre o potencial entorpecedor do ativo.

“Podemos ter uma capacidade produtiva para a produção de insumos e estratos que serão vazados para a indústria. Minha preocupação é que no começo a produção tenha uma aplicação prática com retornos sobre os investimentos no cultivo. Isso vai levar algum tempo, acho que não vai mudar em até três ou cinco anos”, disse Paiotti à CNN Brasil.

Uso terapêutico

O avanço de compras é atribuído ao crescimento da comunidade de médicos e dentistas especializados no uso terapêutico da cannabis, reconhecida como um ativo relevante no tratamento de diferentes condições de saúde, principalmente em doenças crônicas.

O levantamento via Lei de Acesso à Informação (LAI) foi realizado pela Cannect, plataforma digital que conecta pacientes a especialistas no tratamento à base de cannabis medicinal. A Resolução de Diretoria Colegiada (RDC), a RDC 660, regula a importação de produtos.

“A RDC 660/2022 estabelece as regras para a importação de cannabis de uso pessoal, com autorização individual do paciente. Esse modelo é diferente do previsto na RDC 327/2019, que regulamenta os produtos de cannabis fabricados ou comercializados no Brasil e disponíveis para venda em farmácias e drogarias”, explica Paiotti.

Em setembro de 2023, quando a proibição da Anvisa para a importação de flores de cannabis entrou em vigor, houve retração temporária no número de autorizações, já que esses produtos representavam uma parcela relevante do consumo no país. No entanto, o impacto foi passageiro.

Com a diversificação das formas de administração, incluindo óleos, cápsulas e comestíveis, a importação de cannabis voltou a crescer, registrando sucessivos recordes.

A importação de cannabis medicinal é o principal mecanismo de acesso para pacientes no país, processo que exige prescrição de um profissional de saúde habilitado junto à autorização da Anvisa. Dentre as prescrições mais comuns, a receita se direciona a dor crônica, ansiedade, distúrbios do sono, transtorno do espectro autista (TEA), Parkinson e epilepsia.

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Fonte : CNN

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