O Palácio de Buckingham afirmou nesta segunda-feira (9) que está pronto para apoiar qualquer investigação policial sobre o irmão mais novo do rei Charles, após e-mails sugerirem que Andrew Mountbatten-Windsor pode ter compartilhado documentos confidenciais do comércio britânico com Jeffrey Epstein.
Mountbatten-Windsor, já afastado do círculo interno da realeza por sua estreita relação com Epstein, passou a enfrentar um novo escrutínio desde a recente publicação de milhões de novos documentos relacionados ao falecido criminoso sexual americano condenado.
“O rei deixou claro, em palavras e por meio de ações sem precedentes, sua profunda preocupação com as alegações que continuam a surgir em relação à conduta do sr. Mountbatten-Windsor”, disse um porta-voz do palácio.
Família real pronta para apoiar investigação sobre Andrew
Nos arquivos mais recentes divulgados nos Estados Unidos, e-mails sugerem que ele compartilhou documentos oficiais do comércio britânico com Epstein em 2010, após a condenação de Epstein por crimes sexuais contra crianças, vazando informações de sua então função como enviado oficial do governo.
Os documentos parecem mostrar que Andrew encaminhou a Epstein relatórios sobre Vietnã, Singapura e outros locais, que havia recebido em relação a uma viagem oficial.
Enviados comerciais geralmente são proibidos de compartilhar documentos sensíveis ou comerciais. O segundo filho da falecida rainha Elizabeth, de 65 anos, sempre negou qualquer irregularidade e não respondeu a pedidos de comentário desde a última divulgação dos arquivos de Epstein.
A polícia do Vale do Tâmisa informou que o caso foi comunicado à corporação e que está avaliando se abrirá formalmente uma investigação.
O palácio acrescentou: “Embora as alegações específicas em questão devam ser tratadas pelo sr. Mountbatten-Windsor, se formos procurados pela Polícia do Vale do Tâmisa, estamos prontos para apoiá-la, como seria de se esperar…
“Como já foi dito anteriormente, os pensamentos e a solidariedade de suas majestades estiveram, e continuam estando, com as vítimas de todas e quaisquer formas de abuso.”
O filho do rei, príncipe William, e sua esposa, Kate, disseram nesta segunda-feira que estavam profundamente preocupados com as contínuas revelações sobre Epstein, em outra mensagem direta da família real.
“Os pensamentos deles permanecem voltados para as vítimas”, disse o porta-voz do casal a jornalistas, antes da chegada do príncipe a uma viagem de grande visibilidade à Arábia Saudita.
Andrew e Epstein, uma vergonha para o rei e para a realeza
Mountbatten-Windsor foi obrigado a abandonar todas as funções oficiais da realeza em 2019 por causa de seus vínculos com Epstein e, em outubro, o rei Charles retirou seu título de príncipe. Na semana passada, ele foi forçado a deixar sua residência real.
Em 2022, ele fechou um acordo em um processo movido por Virginia Giuffre, que o acusou de abusá-la sexualmente quando ela era adolescente, por meio de sua associação com Epstein. Giuffre morreu por suicídio em abril passado.
Embora a família real tenha tentado se distanciar de Mountbatten-Windsor, ele continua sendo um problema constante.
“Charles, há quanto tempo você sabe sobre Andrew e Epstein?”, gritou um homem da multidão quando o rei chegou a Clitheroe, no norte da Inglaterra — a segunda vez em uma semana que ele foi hostilizado em público.
Na semana passada, a polícia também informou que estava analisando uma nova denúncia contra Andrew, motivada pelos arquivos mais recentes, envolvendo uma mulher que teria sido levada a um endereço em Windsor, perto de Londres, onde ele viveu na propriedade real.
Nos últimos dez dias, as revelações desses arquivos também envolveram o primeiro-ministro Keir Starmer no que é amplamente visto como a maior crise de seu governo, por ter nomeado Peter Mandelson, conhecido de Epstein, como embaixador no Reino Unido para os Estados Unidos.
Assim como Andrew, ao que tudo indica Mandelson também compartilhou documentos governamentais sensíveis de 2009 e 2010 com Epstein, e a polícia investiga alegações de má conduta no exercício de cargo público.
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Fonte : CNN