O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, disse nesta segunda-feira (9) que o governo brasileiro recebeu “sinalização favorável” das autoridades chinesas sobre duas demandas apresentadas a Pequim por flexibilidade na aplicação das cotas de exportação para carne bovina.
Em entrevista à CNN, Fávaro relatou que o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, tem conduzido as conversas sobre o tema com a China.
De acordo com ele, as salvaguardas devem ser debatidas no âmbito da Cosban (Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação), que terá um encontro no Brasil em 2026.
A primeira demanda, conforme explicou Fávaro, é para a China deixar de fora da cota válida para este ano os embarques realizados até 31 de dezembro de 2025 — mesmo chegando nos portos asiáticos antes da aplicação das salvaguardas.
“Isso já está avançado”, disse o ministro.
O segundo pedido brasileiro é para que, em caso de não preenchimento da cota alocada para países como Uruguai e Estados Unidos, esse volume possa ser usado pelo Brasil.
“O Uruguai recebeu uma cota de 300 mil toneladas, mas vendeu 140 mil toneladas no ano passado. Se expandir suas exportações, vai chegar a 150 mil ou 160 mil? Os Estados Unidos receberam 300 mil toneladas de cota, mas dificilmente vão conseguir cumprir com essa cota porque hoje estão importando carne bovina”
“[Pedimos] que o Brasil possa absorver esse excedente não preenchido da cota para o Uruguai ou para os Estados Unidos”, explicou Fávaro.
Para o ministro, é de interesse chinês que os exportadores brasileiros possam atender a essa demanda excedente pagando a tarifa de 12% que é aplicada à carne bovina dentro da cota. O que é exportado acima da cota paga uma sobretaxa de 55%, além da tarifa convencional.
Em ambos os pedidos feitos pelo governo brasileiro, segundo Fávaro, a sinalização dada por Pequim teria sido positiva. Alckmin conversou por telefone, no fim de janeiro, com o vice-presidente chinês, Han Zheng.
A China anunciou, em dezembro, a aplicação de salvaguardas à carne bovina. O Brasil, principal fornecedor ao mercado chinês, terá uma cota de exportação de 1,106 milhão de toneladas sem tarifas adicionais neste ano ano.
O volume alcançará 1,128 milhão de toneladas em 2027 e 1,154 milhão de toneladas em 2028.
Como efeito de comparação, no ano passado, o Brasil vendeu cerca de 1,7 milhão de toneladas à China. Trata-de do maior mercado para o país.
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Fonte : CNN