Em meio aos jogos das Olimpíadas de Inverno, a WADA (Agência Mundial Antidoping) acendeu o alerta para uma tática inusitada que pode influenciar o resultado do salto de esqui: a injeção de ácido hialurônico no pênis.
Segundo a agência, o objetivo dos atletas não seria estético, mas sim técnico — o aumento da circunferência do órgão permitiria o uso de trajes de competição maiores, o que, em teoria, ampliaria a superfície de sustentação durante o voo, garantindo metros preciosos na disputa.
As alegações ganharam força após uma reportagem do jornal alemão Bild, que detalhou como o procedimento poderia ser usado para “enganar” as medições oficiais da FIS (Federação Internacional de Esqui e Snowboard).
Como as regras de fabricação dos trajes são baseadas nas medidas corporais dos atletas, um ganho de um ou dois centímetros na região genital resultaria em uma roupa com maior área de superfície – gerando mais sustentação durante o voo.
O procedimento
Diferente de cirurgias invasivas, o preenchimento com ácido hialurônico é realizado em consultório e possui baixa morbidade. O material é biocompatível e absorvido pelo organismo com o tempo, geralmente necessitando de reaplicação anual.
Segundo o urologista Dr. Ubirajara Barroso Jr., a técnica evoluiu consideravelmente nos últimos anos. “O procedimento de aumento peniano por preenchedores não é novo. Era utilizado o PMMA (polimetacrilato de metila), porém, pelo alto índice de reação inflamatória, infecção e fibrose, esse material foi abandonado e deu lugar ao ácido hialurônico, biocompatível e com baixo potencial imunogênico”, explica o médico.
Além do esporte: a busca pela virilidade
Embora o foco do debate leve em conta o desempenho esportivo, a busca pelo procedimento reside em uma tendência estética crescente entre o público masculino. Pesquisas indicam que a insatisfação com a própria anatomia é um motor potente para a procura desses consultórios.
“A necessidade surge da crescente busca das pessoas por procedimentos estéticos. Inicialmente, procedimentos estéticos íntimos eram realizados apenas em mulheres. Agora, os homens também buscam esses procedimentos de forma cada vez mais frequente”, afirma Dr. Barroso Jr.
Ele cita um estudo recente publicado no Journal of Sexual Medicine, que revela que cerca de um em cada cinco homens deseja realizar modificações genitais. “O alongamento e engrossamento peniano são os mais procurados, pois o tamanho do órgão genital, historicamente, tem sido vinculado à potência, masculinidade e virilidade. Apesar de estudos mostrarem que as mulheres não valorizam tanto o tamanho do órgão genital masculino, esse é um fator que muitos homens consideram como importante”, complementa o urologista.
Vantagem real ou mito?
Apesar da preocupação das autoridades esportivas, ainda não há consenso científico sobre o impacto real dessa modificação no resultado das provas de salto. A WADA e o COI (Comitê Olímpico Internacional) mantêm-se em vigilância, uma vez que qualquer alteração corporal que vise ganho de performance pode ser enquadrada como uma violação ética ou técnica.
“Qualquer procedimento de modificação corporal pode estar associado a mudança de performance. Isso aconteceu com procedimentos em vias respiratórias, oculares e outras”, observa o Dr. Ubirajara. Sobre o caso específico dos saltadores, ele pondera: “Foi veiculado na imprensa que o COI estaria preocupado com que atletas de esqui poderiam recorrer à injeção de ácido hialurônico no pênis, para aumentar a superfície corporal, requerendo a necessidade de roupas maiores, melhorando a performance nos saltos. Entretanto, ao meu conhecimento, não foi divulgado nenhum dado científico de que essa vantagem realmente acontece. Entretanto, cabe ao COI estar atento a cada novo procedimento de modificação corporal utilizado, para que nenhuma vantagem indevida possa acontecer.”
Até o momento, o ácido hialurônico não consta na lista de substâncias proibidas da WADA, mas a agência garantiu que, caso surjam evidências concretas de seu uso para fins de manipulação de medidas, investigações formais serão abertas.
*Publicado por André Nicolau, da CNN Brasil
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Fonte : CNN