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O ouro é considerado uma reserva de valor há milhares de anos. Em 2026, porém, o preço dele tem se comportado mais como uma “ação meme” do que como um porto seguro.

Investidores costumam recorrer ao ouro quando crises acontecem, a inflação dispara ou as ações despencam.

Mas os preços do ouro têm apresentado uma volatilidade extraordinária, atingindo recordes históricos antes de registrar a maior queda em um único dia da história no mês passado. O ouro acumula alta de aproximadamente 15% neste ano.

O ouro já teve altas expressivas antes: o melhor ano registrado foi 1979, com alta de 144%, em meio à inflação e ao aumento das tensões geopolíticas nos Estados Unidos. E os preços subiram 24% em 2020, quando a pandemia alterou drasticamente o status quo da economia global.

Desta vez, o ouro está se beneficiando do aumento das tensões geopolíticas. E, à medida que os investidores compravam mais, os ganhos obtiveram força, resultando em uma disparada dos preços.

Os investidores podem comprar e vender ETFs (fundos negociados em bolsa) que replicam o preço do ouro e da prata da mesma forma que compram e vendem ações.

O SPDR Gold ETF — um fundo popular que acompanha o desempenho do ouro físico — registrou em agosto o maior fluxo de entrada mensal da história, segundo dados da FactSet.

Nos últimos anos, os mercados americanos têm vivenciado episódios de mania das “ações meme”, em que os investidores se aglomeram em torno de uma alta impulsionada pela euforia, tentando aproveitar a valorização repentina das ações.

Analistas afirmam que um padrão semelhante está se repetindo no mercado de metais: o ouro e a prata têm se comportado assim.

Uma oportunidade de ouro

O ouro valorizou-se 27% em 2024 e 67% em 2025. O metal amarelo atingiu os US$ 4.000 por onça troy pela primeira vez em outubro, antes de ultrapassar os US$ 5.000 em janeiro.

“Acho que havia uma grande variedade de investidores, incluindo hedgers, especuladores, fundos de hedge e traders de varejo, todos agindo de forma agressiva e impulsionando os preços para patamares mais altos do que esperávamos, ultrapassando o ponto de sustentabilidade”, analisou Joe Cavatoni, estrategista sênior de mercado e chefe de políticas públicas dos EUA no Conselho Mundial do Ouro.

Apesar de ter registrado a maior queda em um único dia em 30 de janeiro, o ouro ainda acumula alta neste ano. Mas a recente volatilidade levou alguns analistas a questionarem se o ouro ainda mantém o mesmo “brilho” como investimento.

Enquanto isso, o bitcoin caiu 50% desde que atingiu um recorde histórico acima de US$ 126.000 em outubro. Analistas dizem que os investidores que aproveitaram a alta do bitcoin podem ter mudado o foco para metais preciosos, o que contribuiu para alimentar a volatilidade.

“Isso está distorcendo o papel histórico do ouro como porto seguro. Agora ele está sendo negociado como um mercado impulsionado pelo momento, nos extremos do espectro de ativos de risco”, destacou David Scutt, analista de mercado da Forex.com, em um e-mail.

As perspectivas fundamentais para o ouro permanecem positivas, de acordo com economistas. O JPMorgan Chase prevê que os preços do ouro atingirão US$ 6.300 por onça troy até o final de 2026.

Enquanto os investidores tentam lucrar com a alta, a incerteza geopolítica persiste, o que impacta os preços do ouro.

Volatilidade histórica

A prata também apresentou volatilidade extraordinária. Os preços da prata mais que triplicaram no último ano, antes de despencarem 31% em 30 de janeiro e registrarem o pior dia desde 1980. Mesmo assim, a prata acumula alta de aproximadamente 138% no último ano.

O ouro subiu 6,07% na terça-feira (3) e registrou o melhor dia desde 2009, apenas dois dias após ter o pior dia da história.

O Índice de Volatilidade do Ouro da Cboe disparou este ano para o nível mais alto desde o início da pandemia de Covid-19 em 2020, refletindo a intensidade da volatilidade recente do metal.

“É difícil justificar chamar algo de hedge quando apresenta oscilações de dois dígitos”, disse Steve Sosnick, estrategista-chefe da Interactive Brokers, à CNN.

“Quando você vê esse tipo de queda é doloroso”, acrescentou, “mas, de certa forma, é o resultado natural da especulação hiperagressiva”, concluiu.

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Fonte : CNN

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