A esperada supersafra de grãos do Brasil ancora as previsões de crescimento da Ouro Safra, empresa paulista de comercialização de grãos e insumos agrícolas. Este ano, a companhia quer aumentar em 30% o faturamento de 2025, que foi de R$ 10,7 bilhões. O valor representa a venda de 78,5 milhões de sacas de 60 kg de grãos, como soja e milho, ou quatro milhões de toneladas.
O lastro da estratégia vem de resultados anteriores: o faturamento quase dobrou em 2025 e saiu de R$ 5,7 bilhões em 2024. O salto se deve às vendas de soja, farelo de soja e milho para a China e para países do Oriente Médio.
Com 27 navios saindo do Porto de Santos (SP), a companhia de Pilar do Sul, interior de São Paulo, galgou o status de trading.
À CNN Brasil, a Ouro Safra antecipou que acaba de arrendar um complexo de armazenagem de grãos em Santa Cruz do Rio Pardo (SP) a fim de reforçar a estratégia de expansão em uma das regiões agrícolas do Estado. A unidade, que anteriormente era operada pela cerealista Sefert, já está em operação e começa a receber grãos nesta safra (2025/26).
De acordo com o diretor executivo financeiro administrativo, Nery Urias, uma das principais vantagens da empresa é a logística, já que o município que sedia a empresa está a 220 km do Porto.
Atualmente, a empresa tem uma cartela de 30 mil clientes e espalhou a atuação por diversas regiões brasileiras, com 34 unidades de armazenamento, 17 lojas físicas e 20 centros de distribuição. A empreitada mais recente fica em Nova Mutum (Mato Grosso), entroncamento da soja brasileira.
Segundo o diretor, a companhia acelerou a venda de grãos, driblando volatilidade das bolsas internacionais e conseguiu transportar pelo Brasil 706 caminhões por dia útil ao longo do ano passado. Na primeira quinzena de dezembro, houve um pico recorde de 1052 por dia, acrescenta.
Para Urias, o crescimento de caixa nos últimos cinco anos dá segurança aos novos planos de negócios da Ouro Safra.
A base do negócio da companhia está no arrendamento de grãos, o que dá mais previsibilidade em relação aos preços dos grãos. No último ano, o produtor conviveu com margens apertadas com valor alto de custeio da safra, em especial pela dificuldade de acesso a crédito e juros altos, lembra Urias.
Expansão de silos em SP
O silo de Santa Cruz do Rio Pardo (SP) será estratégico para ganho de eficiência, segurança na armazenagem e disponibilidade dos grãos dos produtores à unidade, diz a companhia.
A operação terá classificação de grãos automatizada e gravação 24 horas da cabine de classificação, procedimento que garante transparência do processo de seleção e pode ser usado para confiabilidade dos clientes da empresa.
Com este movimento, a Ouro Safra passa a contar com cinco unidades na região, localizadas nos municípios de Santa Cruz do Rio Pardo, Palmital, Maracaí, Ribeirão do Sul e Piraju, que responderão por mais de 100 mil toneladas de capacidade estática de armazenamento.
A estrutura fortalece o escoamento da produção regional, especialmente de culturas como soja e milho, que têm papel central na economia agrícola do interior paulista, destaca a empresa.
“A região é uma das mais consistentes do agronegócio paulista. E a Ouro Safra é uma empresa sólida, com governança e visão de longo prazo. Não fazemos aventuras. Entramos em regiões onde acreditamos no potencial, investimos em estrutura, tecnologia e pessoas, e construímos relações duradouras com quem está no campo”, afirma Urias.
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Fonte : CNN