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A produção brasileira de azeite deve registrar um crescimento de, no mínimo, 55% em 2026. O otimismo do setor se baseia nas condições climáticas favoráveis registradas entre junho e dezembro de 2025, período em que as oliveiras apresentaram excelente floração e boa formação dos frutos. Com isso, o processamento, iniciado neste mês, deve ocorrer em bom volume.

A avaliação é do sommelier de azeites Davi Jonck, que acompanha o mercado nacional há mais de sete anos. À reportagem da CNN Brasil, o especialista explica que as estimativas apontam para uma colheita nacional entre 300 mil e 400 mil litros de óleo — um número considerado positivo diante das condições das últimas três safras, que oscilaram entre recorde e forte retração.

Em 2023, quando o país alcançou uma produção inédita, o volume de azeite chegou a 580 mil litros. Em 2024, no entanto, um revés climático prejudicou o desempenho do setor. As variações de clima e as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul — principal produtor do país — derrubaram a produção para 340 mil litros. Os problemas se estenderam para 2025, quando o volume caiu ainda mais, para 194 mil litros, segundo dados do Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva).

Caso o Brasil consiga atingir as projeções para este ano, o setor terá recuperado fôlego e retornado ao patamar médio observado antes das enchentes no Estado. Jonck lembra que a Serra da Mantiqueira, que compreende os Estados de Minas Gerais e São Paulo, vem se destacando com marcas regionais premiadas, embora a região também tenha sofrido os efeitos adversos do clima.

Mesmo com o avanço da produção nacional, entretanto, a oferta brasileira está longe de suprir o consumo doméstico. O Brasil produz, em média, apenas 0,3% de todo o azeite que consome. São cerca de 300 mil litros extraídos em território nacional frente a um consumo anual de aproximadamente 100 milhões de litros — um desequilíbrio que, segundo o sommelier, evidencia que “a conta não fecha”.

Preços no Brasil

Apesar da perspectiva de maior volume global de azeite, não há expectativa de queda expressiva nos preços do produto nos supermercados. “Os valores da garrafa de meio litro devem oscilar entre R$ 30 e R$ 35, considerando produtos de alto volume, que não são gourmet. Azeites premiados e nacionais têm preços mais elevados”, afirma Jonck.

Mesmo com a recuperação da oferta na Europa, o consumo é elevado no Brasil e a produção inferior a 1%, mantendo a pressão sobre os valores. No caso da Fazenda Sabiá, em Santo Antônio do Pinhal (SP) parte do estoque nos últimos anos foi impactada tanto pela alta de preços quanto pelos efeitos do El Niño em 2024, que reduziram a safra de 2025 em cerca de 6 mil garrafas. A expectativa é recuperar o volume este ano.

Em Minas Gerais, a Câmara Técnica Setorial da Olivicultura do governo destacou, que, diferentemente do Rio Grande do Sul — que lidera a produção nacional com grandes propriedades e áreas planas —, o Estado mineiro é marcado por pequenos e médios olivais em terrenos inclinados e de difícil mecanização.

Essa característica eleva os custos de produção e ajuda a explicar por que o azeite artesanal chega às gôndolas com preços entre R$ 80 e R$ 120 a garrafa de 250 ml. As informações fazem parte do último boletim do ano de 2025 sobre expectativa do mercado de azeite mineiro.

A razão maior para os preços não terem um revés rápido e de queda acentuada está na Europa, principal região produtora de azeite do mundo. O continente perdeu volume entre 2023 e 2025, com safras menos robustas na Itália, Portugal, Grécia e Espanha. O impacto foi repassado aos parceiros comerciais, entre eles o Brasil, que importa azeite europeu.

A recuperação mais consistente veio da Espanha, maior produtora global do óleo, que registrou uma safra 66% superior à do ciclo imediatamente anterior. Em 2025, a produção espanhola ficou entre 1,38 milhão e 1,42 milhão de toneladas, segundo o Conselho Internacional de Olivicultura. Com esse desempenho, a produção europeia superou 3,5 milhões de toneladas no mesmo ano, acrescenta o órgão.

Tradição e consumo

As oliveiras plantadas no Brasil têm raízes na tradição da colonização portuguesa. Segundo Jonck, os lusitanos se beneficiaram da afinidade gastronômica para consolidar a presença de azeites extravirgem e virgem de marcas portuguesas nas gôndolas brasileiras, embora Portugal não esteja entre os maiores produtores globais.

De acordo com dados de 2024/25 do Conselho Oleícola Internacional — os mais recentes da entidade —, os maiores produtores de azeite são Espanha, Turquia e Egito. A Espanha responde por cerca de 40% da produção mundial, com aproximadamente 1,29 milhão de toneladas no período. Em seguida aparecem a Turquia, com 450 mil toneladas, e o Egito, com cerca de 40 mil toneladas.

Curiosidades sobre a olivicultura

O ciclo da oliveira é anual e tem início em julho, durante o inverno, quando ocorre o repouso da planta — etapa que induz a floração.

As azeitonas são colhidas entre janeiro e março, no verão, quando atingem a maturação. Nesse processo, os frutos mudam de cor, indicando que estão prontos para a extração do azeite. Por isso, a azeitona processada é preta, e não verde.

Há máquinas específicas para o processamento do azeite, fabricadas principalmente na Itália. O preço médio desses equipamentos é de cerca de R$ 1 milhão, segundo Jonck.

A oliveira leva de cinco a seis anos para começar a produzir azeitonas, mas os volumes mais robustos surgem a partir do sétimo ou oitavo ano de cultivo.

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Fonte : CNN

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