O político da oposição venezuelana Juan Pablo Guanipa foi libertado da prisão, informou sua família em um comunicado neste domingo (8). Esta é a mais recente libertação de alto nível promovida pelo governo em Caracas, que está sob pressão dos EUA para libertar presos políticos.
O grupo de direitos humanos Foro Penal afirma ter verificado 383 libertações de presos políticos desde que o governo anunciou uma nova série de solturas em 8 de janeiro.
Guanipa, um político conhecido na Venezuela e aliado próximo da ganhadora do Prêmio Nobel da Paz e líder da oposição, María Corina Machado, foi preso em maio de 2025, após meses foragido, sob a acusação de liderar um complô terrorista. Sua família e seu movimento político negam veementemente as acusações.
No início deste mês, a família de Guanipa disse que conseguiu vê-lo pessoalmente pela primeira vez em meses e que ele estava com boa saúde física.
“Dez meses escondido e quase nove meses detido aqui”, disse Guanipa no domingo (8), após ser libertado. “Há muito o que conversar sobre o presente e o futuro da Venezuela, sempre com a verdade em primeiro plano.”
Machado comemorou a libertação de Guanipa em uma declaração na X , pedindo a libertação de todos os presos políticos.
Mi querido Juan Pablo, contando los minutos para abrazarte!
Tú eres un héroe y la historia lo reconocerá SIEMPRE.
Libertad para TODOS los presos políticos!! https://t.co/xPDbwAWod5
— María Corina Machado (@MariaCorinaYA) February 8, 2026
Grupos de oposição e de direitos humanos da Venezuela afirmam há anos que o regime do país usa as prisões para reprimir a dissidência.
O governo nega manter presos políticos e afirma que os encarcerados cometeram crimes. As autoridades divulgaram um número muito maior de libertações, de quase 900, mas não foram claras quanto ao cronograma e parecem estar incluindo libertações de anos anteriores na contagem. O governo nunca forneceu uma lista oficial de quantos presos serão libertados nem quem são eles.
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, também anunciou uma proposta de “lei de anistia” para centenas de presos no país e afirmou que o infame centro de detenção Helicoide, em Caracas, há muito denunciado por grupos de direitos humanos como local de abuso de prisioneiros, será transformado em um centro de esportes e serviços sociais na capital.
A legislação, que concederia clemência imediata a pessoas presas por participarem em protestos políticos ou criticarem figuras públicas, restituiria os bens dos detidos e revogaria as medidas da Interpol e outras medidas internacionais anteriormente emitidas pelo governo, foi aprovada em votação inicial na Assembleia Nacional esta semana. Para se tornar lei, precisará de uma segunda aprovação.
Rodríguez, que assumiu o cargo depois que os EUA capturaram e depuseram o líder venezuelano Nicolás Maduro no mês passado, tem libertado os presos políticos e atendido às exigências dos EUA em relação aos acordos petrolíferos.
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Fonte : CNN