O Super Bowl não é um jogo de futebol americano comum – e os preços dos ingressos refletem isso.
Com uma oferta limitada e uma demanda voraz, o Super Bowl funciona mais como um bem de luxo, e as forças que mantêm essa situação provavelmente não mudarão tão cedo.
O Super Bowl deste ano, no Levi’s Stadium, em Santa Clara, Califórnia, não é exceção. O lugar mais barato disponível na TickPick, uma revendedora secundária, na tarde de sexta-feira (6), custava mais de US$ 3.800, aproximadamente R$ 19.800, com o ingresso médio custando mais de US$ 6.200, o que equivale a cerca de R$ 32.300.
Hoje, o Super Bowl é a vitrine definitiva da exclusividade – e você pode esperar que continue assim. Dois ingressos para o primeiro Super Bowl em 1967 custariam hoje o equivalente a alguns tanques de gasolina, ou cerca de US$ 118,20 em dólares ajustados pela inflação. Agora, é comparável à troca de um Subaru Outback 2019, de acordo com uma análise da Edmunds.
Escassez proposital
Para o torcedor comum, o Super Bowl pode ser uma oportunidade única na vida, que tem menos a ver com o jogo e mais com a experiência.
“Para muitas pessoas, não importa quem está jogando, porque o Super Bowl não é apenas um fenômeno esportivo, é um fenômeno cultural”, disse Victor Matheson, economista esportivo da Faculdade de Holy Cross.
E com os estádios atingindo seus limites de capacidade, a primeira coisa a ser sacrificada é o preço.
“O número real de lugares que a NFL pode vender para um Super Bowl permaneceu basicamente o mesmo, o que exerce uma enorme pressão sobre (o preço)”, disse Matheson. “Os estádios simplesmente não podem ficar maiores.”
Os ingressos são difíceis de conseguir, não apenas pela demanda extraordinária, mas também pela forma como são distribuídos. A NFL tem autoridade legal para controlar para onde vai cada ingresso do Super Bowl. No Super Bowl XLVIII, em 2014, 99% dos ingressos já estavam alocados antes de serem oferecidos ao público.
Desses ingressos pré-determinados, a NFL destinou 35% para as duas equipes que disputaram o Super Bowl e 5% para a equipe anfitriã do evento. As outras 29 equipes da NFL receberam um total de 35%, e os 25% restantes foram para pessoas e entidades ligadas à NFL, incluindo empresas, redes de televisão, veículos de comunicação, patrocinadores e o comitê organizador do Super Bowl.
Os jogadores e a equipe técnica têm acesso prioritário à compra de ingressos; depois, muitas equipes da NFL dão uma parte aos seus patrocinadores como recompensa. O que sobrar é disponibilizado ao público.
Para os fãs, isso significa que os ingressos disponíveis pelo valor nominal são escassos. Os ingressos restantes são geralmente distribuídos por meio de loterias altamente competitivas patrocinadas pela NFL, que podem exigir que o participante seja um torcedor com ingressos para a temporada para poder se inscrever.
Os fãs que têm a sorte de ganhar essas loterias às vezes revendem seus ingressos por um valor muito superior ao preço original.
A CNN entrou em contato com a NFL pedindo um comentário.
Por que os preços continuam subindo
A escassez de ingressos leva muitos compradores ao caro mercado secundário, resultando em multidões no Super Bowl mais ricas do que a média dos americanos.
Um relatório de impacto econômico da Louisiana State University após o Super Bowl do ano passado em Nova Orleans confirmou que quase um em cada quatro participantes relatou renda familiar acima de US$ 500.000, e a maioria ganhava entre US$ 200.000 e US$ 500.000.
Para efeito de comparação, menos de 10% relataram rendimentos familiares iguais ou inferiores à mediana dos EUA em 2024, de US$ 83.730.
Os preços sempre podem cair antes do início do jogo, de acordo com a SeatGeek. Quaisquer descontos que aparecem, geralmente, esgotam rapidamente.
Mas o aumento dos preços dos ingressos ressalta que os compradores mais ricos estão dispostos a pagar cada vez mais para garantir um lugar. Isso significa que os preços dos ingressos provavelmente ainda não atingiram o teto.
Entre os lugares limitados e a alta renda dos participantes do Super Bowl, Matheson disse: “é provável que os preços dos ingressos continuem disparando”.
Chris Isidore, da CNN, contribuiu com a reportagem.
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Fonte : CNN