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A Justiça de São Paulo nomeou Suzane von Richthofen como inventariante do espólio de seu tio materno, Miguel Abdalla Neto. O parente de Suzane foi encontrado morto, aos 76 anos, no início de janeiro deste ano em uma residência no bairro Campo Belo, na zona sul da capital paulista.

No entanto, antes da determinação da Justiça, o espólio do tio materno de Suzane tornou-se alvo de uma disputa física e judicial. O processo da herança de Miguel Abdalla Neto enfrenta contestações de Silvia Magnani, que afirma ter sido companheira do falecido por mais de uma década.

Leia também: Entenda o papel de Suzane von Richthofen como inventariante do tio

Briga por herança

Após a confirmação da morte do tio, a residência sofreu invasões e furtos de móveis, documentos e dinheiro. Diante do risco ao patrimônio, Suzane e um filho de uma prima do falecido, afirmaram na Justiça que adoraram a medida de soldar os acessos do imóvel para evitar novos furtos.

Contudo, por meio de nota oficial, Silvia Magnani, que afirma ter sido companheira de Miguel por mais de uma década, demonstrou “profunda indignação” com o episódio. Segundo ela, houve uma troca de fechaduras e o ato ocorreu sem qualquer aval do Poder Judiciário.

Além do episódio, a disputa também envolve um automóvel Subaru XV, o qual Suzane informou à Justiça que está em sua posse, estacionado em um “local seguro” e sem uso, aguardando deliberação judicial.

A defesa de Magnani contestou a permanência do bem com a sobrinha, descrevendo a movimentação como uma “subtração planejada” do veículo que integra o espólio. Silvia ainda reiterou que foi a única responsável pelos trâmites do sepultamento e que colabora com as investigações policiais sobre a morte de Miguel e as invasões no imóvel.

Após a nomeação de Suzane como inventariante, a defesa de Silvia questionou a decisão e afirmou que busca o reconhecimento de uma união estável. Caso a união seja comprovada judicialmente, Magnani passa a ter preferência ou concorrência direta na partilha, conforme as regras do direito de Família.

Direitos sucessórios de Suzane

Embora Suzane tenha sido excluída da herança de seus pais por indignidade, a legislação brasileira estabelece critérios distintos para a sucessão de parentes colaterais, o que pode permitir que ela receba parte do patrimônio do tio.

De acordo com o Código Civil, a sucessão legítima segue uma ordem de preferência: descendentes, ascendentes, cônjuge e, por fim, os colaterais. Na falta de herdeiros drietos, os bens são destinados aos parentes considerados colaterais até o quarto grau. Dentro dessa classe, os irmãos têm preferência.

Como Marísia já é falecida, o direito de representação entra em vigor, permitindo que os filhos da irmã pré-morta — no caso, Suzane e Andreas von Richthofen — ocupem o lugar da mãe na partilha dos bens do tio.

Indignidade na sucessão

Suzane von Richthofen foi declarada indigna e excluída da sucessão de Manfred e Marísia von Richthofen por ter sido coautora do homicídio doloso contra seus pais.

Contudo, a exclusão por indignidade é restrita à herança da pessoa contra a qual o crime foi cometido ou seus familiares diretos previstos em lei. Pela regra jurídica, a indignidade de Suzane em relação aos pais não se estende automaticamente à herança do tio.

Caso não haja testamento, a herança será dividida igualmente entre os sobrinhos por direito de representação, uma vez que, na ordem sucessória, os sobrinhos têm prioridade sobre outros parentes como os tios do falecido.

Morte de tio

Miguel Abdalla Neto foi encontrado morto em uma casa na Rua Baronesa de Bela Vista. De acordo com a Polícia Militar, agentes foram acionados para atender a ocorrência e encontraram o corpo da vítima dentro do imóvel, já sem vida. No local, não foram identificados sinais aparentes de violência.

A ocorrência foi registrada como morte suspeita no 27º Distrito Policial (Campo Belo), que requisitou perícia para apurar as circunstâncias da morte.

Miguel Abdalla Neto era irmão de Marísia von Richthofen, assassinada em 2002 junto com o marido, Manfred von Richthofen, em um dos crimes mais emblemáticos do país. O casal foi morto dentro da própria casa, em São Paulo, em um plano que teve participação da filha Suzane von Richthofen e dos irmãos Daniel e Cristian Cravinhos.

Após o crime, Miguel foi responsável por administrar os bens e o patrimônio de Andreas von Richthofen, irmão mais novo de Suzane, até que ele atingisse a maioridade. Andreas, que era adolescente na época do assassinato dos pais, ficou sob os cuidados de familiares e sempre manteve distância da exposição pública envolvendo o caso.

(Com informações de Beto Souza e Thomaz Coelho)

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Fonte : CNN

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