O Ministério da Fazenda revisou a projeção de crescimento da economia de 2,2% para 2,3% em 2025. Para 2026, a previsão de crescimento foi revisada de 2,4% para 2,3%. Os números estão no boletim Macrofiscal da SPE (Secretaria de Política Econômica), divulgado nesta sexta-feira (6).
De acordo com a pasta, a revisão dos dados de atividade com a divulgação do PIB do terceiro trimestre levaram a mudanças relevantes no carregamento estatístico para o ano e à alta nessa estimativa para 2025.
Já para este ano, a revisão para baixo foi motivada pela desaceleração mais pronunciada da atividade projetada para o segundo semestre de 2025, reduzindo o carregamento estatístico para 2026.
Caso a projeção da SPE se confirme, haverá uma desaceleração em relação ao PIB de 2024, quando a economia brasileira cresceu 3,4%. O dado oficial do PIB de 2025 será divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em março.
“Mesmo com a surpresa positiva, a expansão da atividade em 2025 será inferior à observada nos dois anos anteriores. A desaceleração repercute principalmente a manutenção da política monetária em patamar restritivo em um contexto de redução da inflação, contribuindo para elevar a taxa de juros real para o nível mais alto da última década”, diz o boletim.
Por setor produtivo, a expectativa é de maior crescimento agropecuário e da indústria e redução no ritmo de crescimento dos serviços. Veja as projeções de 2025:
- Agropecuária: projeção de crescimento foi revisada de 9,5% para 11,3%;
- Indústria: projeção do PIB subiu de 1,3% para 1,7%;
- Serviços: houve ligeira revisão do PIB para baixo, de 1,9% para 1,7%.
“Pela ótica da oferta, o bom desempenho da agropecuária em 2025 ajudou a compensar a desaceleração da indústria e dos serviços. A atividade agropecuária surpreendeu positivamente, impulsionada pela safra recorde de grãos, pela expansão da produção de outras culturas agrícolas e do leite e pelo crescimento do abate”, diz o documento.
Além disso, a Fazenda projeta redução da inflação de 4,3% em 2025 para cerca de 3,6% em 2026. Definida pelo CMN (Conselho Monetário Nacional), a meta de inflação para este ano é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
“Em contrapartida, para os preços de alimentos espera-se aceleração. Para isso devem contribuir a alternância de eventos climáticos ao longo de 2026, afetando principalmente a dinâmica dos preços de alimentos in natura; a menor oferta de carne bovina devido à retenção de fêmeas no Brasil e nos Estados Unidos e à abertura de novos mercados”, diz.
Crédito
As estimativas da SPE também projetam uma desaceleração no ritmo de expansão das concessões de crédito, a qual foi acompanhada pela elevação da inadimplência. Segundo a pasta, a alta da inadimplência é reflexo das piores condições financeiras, principalmente das pessoas físicas.
No boletim, o Ministério da Fazenda destacou o volume recorde de emissões de debêntures, impulsionado pela expansão das debêntures incentivadas, associadas a projetos de infraestrutura.
“O aumento da taxa básica de juros impactou de maneira relevante os juros das carteiras bancárias, reduzindo o ritmo de expansão interanual das concessões de crédito livre, sobretudo para empresas, e de crédito direcionado, principalmente para as famílias”, diz o documento.
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Fonte : CNN