O Brasil foi convidado pelos Estados Unidos para integrar um bloco comercial de minerais críticos, uma iniciativa estratégica do governo de Donald Trump. Análise é de Gabriel Monteiro no CNN Novo Dia.
“É a reação americana à atual dominância chinesa completa da produção de minerais críticos e outros minerais essenciais para a fabricação de eletrônicos e para a transição energética global”, destaca o analista de Economia da CNN.
O convite foi estendido a 54 países e representa uma tentativa americana de organizar um contrapeso à China. Monteiro explica que o bloco pode ser caracterizado como uma iniciativa “anti-China”, buscando estabelecer parâmetros e condições básicas para a produção destes materiais, além de fixar preços mínimos.
Os minerais críticos, como lítio, manganês e cobre, são fundamentais para setores em expansão como a mobilidade urbana e os carros eletrificados. Atualmente, a China domina a produção mundial destes recursos, especialmente as terras raras, o que gera preocupação entre países ocidentais e seus aliados.
Desafios para o Brasil
“Se a iniciativa americana der certo, isso pode colocar o Brasil contra a parede“, avalia o analista. “O Brasil tira vantagem da sua posição de neutralidade no mercado, de venda de produtos para a China e para os EUA”.
Os Estados Unidos, o Japão e países europeus acusam a China de utilizar investimentos estatais para artificialmente baixar o preço destes minerais, inviabilizando projetos privados em outros países e garantindo sua liderança no setor. Este mesmo tipo de prática é investigado pelo Brasil em relação ao aço chinês, que estaria prejudicando a indústria siderúrgica nacional.
Por outro lado, a criação de um ambiente com maior competição poderia beneficiar o Brasil, atraindo investimentos para novos projetos de exploração mineral no país. O Brasil possui reservas significativas destes recursos, mas necessita de capital para desenvolvê-los adequadamente. No entanto, o maior desafio será equilibrar os potenciais ganhos econômicos com as implicações geopolíticas de uma eventual escolha de lado nesta disputa entre potências globais.
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Fonte : CNN