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A nova novela “Dona Beja”, aposta da plataforma de streaming HBO Max, revisita uma das figuras femininas mais emblemáticas do imaginário brasileiro a partir de uma proposta clara: não reconstruir o passado de forma documental, mas reinterpretá-lo pela lente da ficção. Inspirada na personagem histórica Ana Jacinta de São José (vivida por Grazi Massafera), a produção assume desde o início um jogo entre realidade, invenção e atualização de sentidos.

Em entrevista à CNN, o roteirista Daniel Berlinsky explicou que a obra não pretende funcionar como um retrato fiel de época, já que não se propõe documentar, exatamente, costumes, personagens ou acontecimentos históricos específicos relacionados à Dona Beja.

“A história é toda ficção, na medida que ela não é documental, né?”, afirmou o profissional. O ponto de partida esteve na própria escassez de registros sobre Ana Jacinta de São José. “O que a gente tem ali são inspirações, não estamos falando da realidade documental, estamos falando já um processo de mitificação. Então a nossa novela trabalha camadas dessa mitificação.”

Uma época reinterpretada para o presente

Embora ambientada no passado, “Dona Beja” não se prende a uma reconstituição rígida do período histórico. A escolha estética e narrativa busca diálogo direto com o público contemporâneo.

Isso aparece, por exemplo, no uso da linguagem. “Nosso português falado, por exemplo, na novela, é intencionalmente atual, né? Ele tem um cheiro de época, mas ele não é português que falava na época.” A lógica se estende ao figurino. “Se você olhar o figurino é a mesma coisa, ele não é o figurino que se usava na época. Ele dá o cheiro da época,”, disse Berlinsky.

A intenção, segundo o roteirista, é clara: “A gente quer entender as amarras do figurino, o corpete, mas a gente quer se comunicar com o público de hoje”.

Corpo, padrões e atualização de conflitos

Um dos exemplos mais emblemáticos dessa adaptação está na abordagem do corpo feminino. “O corpo da Carminha, que a gente quis trabalhar ali a questão do corpo fora do padrão da época, se a gente olhar documentalmente sobre o padrão naquele tempo, o corpo dela era o corpo desejado. A questão da cintura fina sempre esteve ali, mas a coisa farta era o que se desejava, né? Só que eu preciso me comunicar com o povo de agora, o público de agora”, enfatizou o roteirista.

Essa escolha passa pela identificação do espectador. “Eu preciso trabalhar essa referência que as pessoas têm de agora. Então, qual é o corpo que é desejado e qual é o corpo que não é desejado e porque isso são ditos como padrão, mas não quer dizer que seja a realidade.” No fim, a proposta é costurar tempos distintos. “Então, a gente a gente fez isso, a gente tá o tempo todo costurando o passado com o presente para poder se comunicar com o agora.”

Um olhar coletivo e múltiplo

A construção da novela também reflete a diversidade da equipe envolvida. “Era tudo o que a gente lê no jornal, tudo o que a gente vê que está acontecendo na internet, a vivência da equipe toda de roteiristas. A gente tinha quatro mulheres, um casal de historiadores, duas consultoras de diversidade. Então entre nós já há uma efervescência de opiniões e sensações e sentimentos, para a gente trabalhar a leitura dessa história que a gente já conhecia.”

Mesmo assumindo a ficção como base, a pesquisa histórica teve papel central no desenvolvimento da trama. O roteirista contou com a ajuda informal de uma especialista local. “Existe uma historiadora de Araxá muito famosa, chama Glaura Teixeira, que me ajudou extraoficialmente.”

“Ela não é da equipe, nunca foi contratada, mas por carinho ao projeto, ela me guiou por Araxá, me mostrou coisas.” O critério adotado para equilibrar realidade e invenção partiu dessas conversas. “Ela sempre me dizia assim: ‘Olha, é pouco provável que isto aqui acontecesse ali, naquela região, mas não é impossível’.”

A narrativa da HBO Max explora empoderamento, desejo e vingança, revivendo a trajetória da cortesã que desafiou convenções em Araxá.

O elenco é composto por Grazi Massafera, David Junior, André Luiz Miranda, Pedro Fasanaro, Bianca Bin, Deborah Evelyn, Indira Nascimento, Bukassa Kabengele, Otavio Muller, Isabela Garcia, Erika Januza, Tuca Andrada, Kelzy Ecard, Werner Schunemann, Thalma de Freitas, Gabriel Godoy, Ricardo Burgos, Catharina Caiado, Lucas Wickhaus, Luciano Quirino, João Villa, Rita Pereira, Simone Mazzer, Isabelle Nassar, Nikolas Antunes, Eduardo Pelizzari, Arilson Lucas, Paulo Mendes e Miguel Rômulo, entre outros.

Assista a trailer de “Dona Beja”

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Fonte : CNN

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