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Em meio ao último ano do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao cenário eleitoral, a política externa brasileira atravessa um momento de desorientação e perda de relevância internacional. A avaliação é do coordenador-geral do DSI-USP (grupo de Defesa, Segurança e Inteligência da Universidade de São Paulo), Alberto Pfeifer, que aponta falta de estratégia e erros de aposta diplomática por parte do governo. 

Segundo Pfeifer, o Brasil vive “uma política externa completamente desestruturada, ineficaz, que não encontra rumo no mundo, muito menos na região latino-americana”. Para ele, nem mesmo a negociação entre o Mercosul e a União Europeia, frequentemente apresentada como uma das grandes conquistas do governo Lula, foi capaz de produzir ganhos políticos concretos. 

“O conteúdo do acordo é muito fraco. Essa que é a verdade. Ele é tardio, é superficial, é lento na sua plenitude, não dá conta das necessidades contemporâneas”, afirmou. 

Pfeifer lembra que o tratado começou a ser negociado nos anos 1990 e não acompanhou as transformações do sistema internacional. “Não é mais aquele mundo do multilateralismo. É um mundo de tecnologia, de disputa hegemônica entre Estados Unidos e China.” 

Mesmo assim, segundo o professor, o governo brasileiro não conseguiu capitalizar politicamente o acordo. “Nem isso Lula conseguiu capitalizar em seu benefício. Perdeu a assinatura do acordo no Paraguai”, disse, ressaltando que a oficialização ocorreu fora do protagonismo brasileiro e que o tratado ainda enfrenta um longo processo de ratificação na União Europeia. 

 

 

Na avaliação de Pfeifer, o Brasil também fez apostas equivocadas em suas alianças regionais. “O Brasil apostou errado. Apostou numa Venezuela de Nicolás Maduro que não existe mais”, afirmou, acrescentando que o país se isolou ao insistir em uma leitura ultrapassada do cenário político sul-americano. 

Ele também critica a ênfase do governo em fóruns multilaterais. “Lula apostou no multilateralismo, com G20, Brics, com a COP 30. Nada disso deu resultado. O mundo mudou, o Brasil não entendeu.” 

A perda de protagonismo regional é outro ponto destacado. Para Pfeifer, o país “não consegue liderar nem o Mercosul”, acumulando tensões com governos vizinhos, como a Argentina e o Paraguai. Este último, segundo ele, vem ganhando espaço internacional. “O Paraguai hoje parece mais expoente, mais presente na cena internacional que o próprio Brasil.” 

O professor cita a participação recente do presidente paraguaio, Santiago Peña, no Fórum Econômico Mundial, em Davos, como exemplo dessa mudança de percepção. “Fez uma boa figura, trazendo uma boa impressão, tentando vender o seu país”, disse, mencionando ainda o aumento do interesse de empresas e cidadãos brasileiros pelo país vizinho. 

Para Pfeifer, o problema ultrapassa um governo específico. “Mais que um governo ou outro, a sociedade brasileira, o Estado brasileiro precisa pensar o Brasil grande”, ressaltou.  

Segundo ele, o país dispõe de vantagens estratégicas relevantes, como recursos naturais, agricultura tropical, mineração, o pré-sal e um sistema financeiro robusto. “O Brasil precisa revisitar a sua grande estratégia no mundo”, concluiu.  

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Fonte : CNN

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