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Em entrevista ao Agora CNN, o diretor da consultoria Eurasia Group, Silvio Cascione, analisou o cenário na Venezuela após o ataque dos Estados Unidos que resultou na captura do ditador Nicolás Maduro neste sábado (3). Segundo o especialista, esse ataque representa o ápice de um processo de pressão crescente dos EUA sobre a Venezuela, com interesse cada vez mais evidente na mudança de regime no país.

Cascione explica que, enquanto Maduro será levado a Nova York para julgamento sob a lei norte-americana, muito do desenrolar da crise dependerá de como o regime venezuelano responderá à situação. “O presidente foi retirado do país, mas o regime, por enquanto, continua de pé, tem uma linha sucessória”, destacou.

Possíveis caminhos para a transição

Entre os cenários possíveis, Cascione aponta que ainda não está claro como o regime se comportará, como a população reagirá nas ruas, se haverá aumento no fluxo migratório ou manifestações contra o governo ou contra os Estados Unidos.

O especialista acredita que quem suceder Maduro no curtíssimo prazo provavelmente tentará acomodar a situação. “Não tente responder aos ataques dos Estados Unidos com um contra-ataque. Passe como o próprio Maduro já vinha tentando nas últimas semanas, demonstrar aos Estados Unidos um espírito de acomodação, tentar negociar, abrir diálogo para tentar, dessa maneira, proteger a estabilidade do regime”, analisou.

Reação venezuelana e capacidade de defesa

Quando questionado sobre a surpreendente falta de reação do governo venezuelano ao ataque, apesar das promessas de Maduro sobre a existência de uma milícia bolivariana e baterias antiaéreas cedidas pela Rússia e China, Cascione foi enfático: “Não foi surpresa, foi falta de condições mesmo, até materiais, para responder a esse ataque dos Estados Unidos”.

Segundo o analista, a Venezuela vinha se preparando e Maduro já tomava precauções com sua segurança, cancelando eventos e evitando passar muito tempo em um mesmo local. Mesmo assim, o país não conseguiu mostrar qualquer poder de reação. “Ficou claro que não existe como manter a estabilidade desse governo diante de uma pressão externa tão grande, não tem condições materiais para isso”, afirmou.

Futuro das relações EUA-Venezuela

Cascione acredita que qualquer sucessor de Maduro provavelmente manterá a retórica de tentar estabelecer um diálogo com os Estados Unidos, visando interromper ações militares. Se isso acontecer em um contexto de coesão do que restou do regime, este pode se manter por mais tempo e tentar controlar a transição democrática.

“Se os Estados Unidos conseguirem, com o próximo presidente, aumentar, melhorar as relações, reabrir a embaixada em Caracas, se colocar novamente em uma posição de investir no setor de petróleo e em outras partes da economia venezuelana, a transição para a democracia pode ser mais lenta, mais gradual”, avaliou o especialista.

No entanto, se as divisões internas forem muito grandes – lembrando que os EUA vinham incentivando defecções e traições, inclusive com recompensa pela captura de Maduro – as condições para o regime se sustentar serão menores, tornando o processo de transição potencialmente mais caótico e com maior risco de repercussões para países vizinhos, como o Brasil.

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Fonte : CNN

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