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A prisão de Silvinei Vasques, ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal, no Paraguai, revela um padrão entre foragidos ligados ao bolsonarismo que buscam apoio da direita internacional para escapar da Justiça brasileira. Vasques foi detido quando tentava embarcar com documento falso para El Salvador, país governado por Nayib Bukele, figura admirada por setores conservadores. A análise é de Pedro Venceslau, ao CNN Prime Time.

Diferentemente de outros casos como os de Carla Zambelli e Alexandre Ramagem, a fuga de Vasques não gerou mobilização entre aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. “No caso da prisão do Silvinei Vasques, a gente vê que não houve essa mobilização, pelo contrário, há um certo constrangimento entre os aliados de Bolsonaro. Ele não é uma liderança política, mas, ainda assim fez o mesmo roteiro que Zambelli e Ramagem”, explicou Venceslau.

“Na leitura dos bolsonaristas, que não se manifestaram nas redes sociais, Silvinei prejudica e desgasta esse discurso de perseguição política“, afirmou o analista.

Os detalhes da tentativa de fuga são particularmente problemáticos para o discurso bolsonarista de perseguição política. Vasques portava um passaporte que não era seu e uma carta alegando tratamento contra câncer. “São detalhes que mostram uma fuga que foi planejada, mas, ao mesmo tempo, era uma fuga meio atrapalhada […] Ele fez um plano mais ousado, mas, não conseguiu completar esse plano”, analisou o especialista.

“Em função dos crimes que ele cometeu no caminho, ele também foi expulso do Paraguai, evitando também uma crise diplomática, porque, se houvesse um pedido de asilo, isso colocaria o presidente do Paraguai em uma situação delicada com o presidente Lula”, relatou Pedro Venceslau.

Padrão de busca por asilo político

Alexandre Ramagem, quando surgiu nas investigações, já estava nos Estados Unidos buscando apoio junto a Donald Trump. Carla Zambelli seguiu caminho semelhante na Itália. Ambos conseguiram reunir aliados em torno da defesa deles, com o discurso de perseguição política nas redes sociais e no Congresso Nacional.

A escolha de El Salvador como destino por Silvinei Vasques não parece aleatória. O país governado por Bukele tem atraído admiração de setores da direita por suas políticas de segurança pública. “É bem provável que ele tenha escolhido El Salvador por acreditar que seria recebido ou teria asilo político com Nayib Bukele”, avaliou Venceslau.

A tentativa frustrada de Vasques e sua expulsão do Paraguai evitaram uma potencial crise diplomática. Como cometeu crimes ao tentar sair do país com documentos falsos, as autoridades paraguaias optaram por expulsá-lo, encaminhando-o para a fronteira brasileira. Esse desfecho prejudica politicamente figuras como Flávio Bolsonaro, que vem tentando consolidar sua candidatura e o discurso de perseguição política contra aliados do ex-presidente.

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Fonte : CNN

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