Existe uma expectativa no entorno do ex-presidente Jair Bolsonaro de que ele consiga prisão domiciliar após a defesa solicitar autorização para realização de uma cirurgia de hérnia. A análise é de Isabel Mega, ao Agora CNN.
No mesmo pedido em que foi apontada a necessidade da cirurgia, a defesa também havia solicitado prisão domiciliar. A expectativa dos aliados era de que fosse um “combo” atendido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), mas o ministro Alexandre de Moraes negou o pedido de domiciliar na última sexta-feira.
“Ainda precisamos ter a indicação da data pela defesa, depois a posição da PGR e a decisão do ministro Alexandre de Moraes para entender quais vão ser as circunstâncias e as condições dessa custódia do ex-presidente Jair Bolsonaro durante a internação”, apontou Mega, explicando: “Quem vai poder acompanhá-lo, quanto tempo ele deve ficar, como vão se dar essas atualizações”.
A analista acrescentou: “A perspectiva hoje, de acordo com as últimas decisões do ministro Alexandre de Moraes, é de que o Bolsonaro possa deixar temporariamente a superintendência da PF e depois retorne, justamente porque o pedido de prisão domiciliar foi negado”.
Argumentos de saúde versus segurança
Os aliados trabalham com o argumento de que Bolsonaro não tem condições de saúde para permanecer em regime fechado e defendem que ele possa cumprir prisão domiciliar. Há um tom emocional forte no discurso, já que muitos visitaram o ex-presidente e acompanharam de perto seu quadro de saúde.
A estratégia da defesa é continuar insistindo no pedido de prisão domiciliar, independentemente das próximas decisões, apelando para o caráter humanitário da situação. Existe também uma preocupação com a proximidade do Natal, período em que os aliados consideram especialmente difícil manter o ex-presidente preso, com contato limitado com familiares.
“O que a gente percebe é que tem todo um alinhamento daquilo que a defesa indica nos seus pedidos ao Supremo Tribunal Federal, isso passa pelos médicos e por um acompanhamento de perto da família do ex-presidente Jair Bolsonaro, dos aliados mais próximos e daquilo que eles podem fazer, em termos de estratégia digital, em relação à situação do ex-presidente”, afirmou Isabel Mega.
Por outro lado, o ministro Alexandre de Moraes fundamentou sua decisão de negar a prisão domiciliar em diversos argumentos, incluindo possíveis tentativas de fuga. Entre os pontos citados estão o documento encontrado com pedido de asilo político para a Argentina, os dias que Bolsonaro passou na embaixada da Hungria em Brasília e a tentativa de violação da tornozeleira eletrônica com ferro de solda.
O ministro também considerou a pena por crimes que classificou como “gravíssimos”, de mais de 27 anos de prisão, para manter a decisão de que Bolsonaro deve permanecer na superintendência da Polícia Federal, rejeitando o argumento de que as instalações não seriam adequadas para seu estado de saúde.
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Fonte : CNN