O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que acredita que vale a pena insistir e, se necessário, esperar para viabilizar o acordo entre o Mercosul e a União Europeia, avaliando que eventuais resistências na Europa não refletem prejuízos econômicos reais e podem ser superadas com mais diálogo.
“Eu acredito que vale a pena insistir um pouco mais nessa minha percepção. Porque, primeiro, não há prejuízo. Não há prejuízo para os agricultores italianos e franceses. Não há”, afirmou o ministro durante café com jornalistas no Ministério da Fazenda, nesta quinta-feira (18).
Segundo Haddad, parte da oposição ao tratado decorre da exploração política de sensibilidades internas, sem correspondência com o conteúdo do acordo.
Haddad destacou ainda que o texto negociado prevê instrumentos de proteção aos produtores europeus. Para o ministro, se alguns países europeus precisarem de mais tempo para explicar o tratado à opinião pública e aos setores produtivos, a estratégia pode incluir uma espera adicional.
“Agora, se a Europa, alguns países da Europa estão precisando de mais tempo para esclarecer isso para a opinião pública, para os produtores, eu penso que talvez, se for pouco tempo, vale a pena esperar”, disse.
“O que estava em jogo era muito mais do que um acordo comercial. Era um acordo de natureza política, com um sinal claro para o mundo de que nós não podíamos nos voltar para um ambiente de tensão entre dois blocos fechados”, afirmou.
O ministro relatou que mantém diálogo direto com lideranças europeias e que trocou mensagens com o presidente da França, Emmanuel Macron, para tratar do acordo entre a União Europeia e o Mercosul.
O chefe do Executivo francês disse recentemente que “não era possível assinar o acordo”.
Haddad afirmou que o tratado tem dimensão que vai além do comércio e envolve um sinal político relevante no cenário internacional.
“Eu mandei uma mensagem para ele [Macron] dizendo que o que estava em jogo não era muito mais do que um acordo comercial. Era um acordo de natureza política, com um sinal claro para o mundo de que nós não podíamos nos voltar para um ambiente de tensão entre dois blocos fechados. Nós tínhamos que abrir essa seara na esfera geopolítica. E o acordo União Europeia–Mercosul era essa clareira que o mundo precisava”, afirmou.
O ministro acrescentou ainda que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também tratou do tema com a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, no esforço de avançar no diálogo político sobre o acordo.
Havia expectativa de que o acordo, que vem sendo negociado há mais de 20 anos, fosse assinado neste sábado (20) na cúpula de líderes do Mercosul. No entanto, após a Itália se juntar à França, Polônia e Hungria, contra o acordo, a formalização foi adiada para janeiro.
A justificativa é ganhar mais tempo para proteger a agricultura desses países. Nesta semana, o parlamento europeu também aprovou medidas de salvaguarda sobre produtos de origem da América do Sul, o que foi avaliado como preocupante por autoridades brasileiras.
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Fonte : CNN