Nick Reiner, 32, foi preso no último domingo (15), em Los Angeles, suspeito de assassinar o próprio pai, o cineasta Rob Reiner, e a mãe, Michele Singer Reiner.
O caso trágico trouxe novamente aos holofotes um longa-metragem lançado anos antes que retrata, de forma direta, os conflitos pessoais vividos por Nick e a família.
Lançado em 2015, “Being Charlie” é um drama inspirado na trajetória real de Nick durante juventude marcada pela dependência química. O projeto foi especialmente pessoal: o roteiro foi coescrito por ele, enquanto a direção ficou a cargo de Rob Reiner, que se baseou na própria experiência como pai ao conduzir a narrativa.
A produção acompanha Charlie Mills, um jovem de 18 anos que luta contra o vício em drogas e vive constantes embates com a família. Filho de um astro de cinema que decide ingressar na política, o personagem passa por internações forçadas, períodos em abrigos e recaídas, enquanto tenta encontrar autonomia e compreensão.
O papel principal foi interpretado por Nick Robinson. Carey Elwes vive o pai do protagonista, uma figura rígida e distante, considerada um alter ego de Rob Reiner dentro da história. A mãe do personagem também adota uma postura dura, refletindo o desespero dos pais diante da dependência do filho.
Nick Reiner já havia falado publicamente sobre o quanto o roteiro refletia sua realidade. Em entrevista à revista People, em 2016, ele afirmou: “Ter que lidar com essas coisas me tornou quem eu sou hoje. Conheci pessoas incríveis enquanto estava sem-teto, totalmente fora da minha zona de conforto. Agora estou em casa há muito tempo, readaptado à vida em Los Angeles e à convivência com minha família. Mas foram muitos anos sombrios”.
O roteiro foi escrito em parceria com Matt Elisofon, amigo que Nick conheceu durante um período de reabilitação. A proposta era retratar o vício sem romantização, mostrando também o impacto emocional dentro de casa. Segundo relatos, a família aprovou o projeto justamente por enxergar nele um retrato honesto daqueles anos difíceis.
Na reta final da narrativa, o longa não oferece soluções definitivas. Conforme apontou o The Hollywood Reporter, a obra “entrega poucas respostas”, mas encerra com uma trégua simbólica entre pai e filho, após um pedido de desculpas. Rob Reiner reconheceu mais tarde que aquele gesto refletia algo que gostaria de ter feito na vida real.
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Fonte : CNN