A presença militar dos Estados Unidos no Caribe aumentou significativamente nas últimas semanas, em meio a declarações de Donald Trump sobre uma possível intervenção militar na Venezuela. Esta é a maior mobilização militar americana na região desde a crise dos mísseis de Cuba, em 1962, segundo a professora de Relações Internacionais do Instituto Mauá de Tecnologia, Flavia Loss, em entrevista ao Agora CNN.
“Do ponto de vista das relações internacionais, da gente que acompanha a política externa dos Estados Unidos, de fato, na nossa previsão é que acontecerá sim um ataque de alguma forma”, afirmou a professora.
A especialista destacou que a tensão aumentou após a divulgação de um documento formal dos Estados Unidos sobre sua política de segurança. “Nesse documento, você pode encontrar os principais pontos sobre o que Trump espera da sua política externa para a América Latina. E aí a gente passa a ocupar um papel importante dentro da política externa americana, só que dentro de uma pauta negativa“, explicou Loss. Segundo ela, os assuntos que os EUA querem tratar com a América Latina estão voltados principalmente para questões como narcotráfico, imigração ilegal e há um componente ideológico muito forte contra governos de esquerda e centro-esquerda na região.
Legalidade das ações militares americanas
Questionada sobre a legalidade das ações militares americanas, como os ataques a embarcações no mar do Caribe sob a justificativa de combate ao narcotráfico, Loss destaca: “Do ponto de vista do direito internacional, essa ação é totalmente ilegal, não tem nenhum respaldo jurídico”. A professora explicou que já são mais de 80 mortes registradas nesses ataques na região do Caribe, e não há clareza sobre quem eram essas pessoas ou se estavam realmente envolvidas com o tráfico de drogas.
“Aqui não é uma defesa em relação aos traficantes, ao que está acontecendo, as pessoas confundem um pouco isso. Aqui é uma defesa pelo direito internacional, que isso abre precedente para que haja um ataque desse contra qualquer navio de qualquer outro país”, alertou a especialista, criticando a postura dos EUA de se colocarem como uma “polícia do mundo”.
Impactos para o Brasil e a região
Sobre o papel do Brasil nesse cenário, Loss destacou que o país está em uma posição delicada. Por um lado, conseguiu recentemente restabelecer boas relações com os Estados Unidos após superar problemas comerciais como o “tarifaço”.
“O Brasil tem se colocado como potencial mediador dessa situação entre EUA e Venezuela, mas a gente não tem muito espaço para isso”, explicou Loss. A professora alertou que um ataque americano ao território venezuelano poderia transformar o país vizinho em um “barril de pólvora”, com graves consequências regionais como aumento de refugiados e expansão do narcotráfico. “A possibilidade do conflito da Venezuela se transformar numa guerra civil, num problema maior, é enorme. E, obviamente, o que acontece na Venezuela vai sobrar para o Brasil”, concluiu.
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Fonte : CNN