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O coordenador do grupo de Análise de Estratégia Internacional da USP (Universidade de São Paulo), Alberto Pfeifer, avalia que os Estados Unidos passam pela maior transformação doutrinária estratégica desde os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001. Segundo ele, essa mudança é refletida na nova Estratégia de Segurança Nacional dos EUA, documento divulgado pela Casa Branca na última sexta-feira (5). 

Segundo Pfeifer, a promessa dos americanos de cumprirem o que anunciam tem sido um padrão, mesmo no governo de Donald Trump. “Tudo o que ele tem dito que vai fazer, ele faz. O discurso de posse de Trump foi muito incisivo para as Américas, com anúncios de que as coisas iriam mudar, e mudaram efetivamente”, afirmou.  

Pfeifer aponta que a principal alteração de foco é que os Estados Unidos estão deixando de lado o desejo de “serem a polícia do mundo” e o que “garante a paz global”. “A nova prioridade é estritamente o interesse americano, os Estados Unidos em primeiro lugar”, destacou. 

Para o analista da USP, essa decisão implica em um afastamento de regiões mais distantes, incluindo aliados tradicionais desde o fim da Segunda Guerra Mundial, como o Leste da Ásia, Japão, Coreia do Sul, Taiwan e a Europa. “Em contrapartida, há um foco nas Américas, foco na nossa região, no nosso hemisfério”, ressaltou. 

“O novo enfoque nas Américas tem objetivos claros, como o combate ao crime organizado transnacional, a luta contra a imigração ilegal e o afastamento da presença de potências estrangeiras na região, notadamente Rússia e China”, acrescentou Pfeifer. 

Ele observa que a movimentação de tropas, navios e força aérea americana perto da Venezuela, em ameaça ao governo de Nicolás Maduro, na verdade, serve como “uma mensagem para o mundo inteiro” de que os Estados Unidos priorizarão a região. “A nova estratégia visa o fortalecimento da América para os americanos e na corrida hegemônica contra a China.” 

Para o Brasil, segundo Alberto Pfeifer, este cenário é “uma notícia que exige enorme reformulação da nossa estratégia nacional de segurança e da nossa inserção na região”, alertou.  

Pfeifer conclui que o Brasil “perdeu espaço na região” e que a grande tarefa para os próximos governos será “nos moldarmos a essa nova presença americana assertiva forte na região das Américas”. “O desafio é manter o interesse nacional e os elementos de soberania resguardados, especialmente diante das fragilidades, como o crime organizado transnacional”, finalizou.  

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Fonte : CNN

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