O noticiário brasileiro das últimas 48 horas prova que nada mais espanta. A Assembleia Legislativa do Rio manda soltar um parlamentar preso pela PF (Polícia Federal) acusado de prejudicar investigação contra o crime organizado.
Um ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) viaja com advogado de defesa em processo que depois chama para si e impõe sigilo absoluto. O acontecimento gera manchetes no lugar daquelas sobre a liminar de outro ministro da Corte, que tira do cidadão o direito de apresentar denúncia de impeachment contra ministros do STF.
O grau de bagunça interna na centro-direita também nem causa mais espanto, refém e reflexo do tumulto interno do clã Bolsonaro, cujo autodenominado pré-candidato à Presidência, o filho Flávio Bolsonaro (PL-RJ), menciona ter um preço para desistir.
Em tempos antigos, o Congresso era tratado como “casa dos espantos”, mas hoje esse conceito se espalhou.
O Congresso é também sócio em boa medida do que ali se critica na política fiscal do presidente Lula (PT), que já não causava espanto quando afirmava, desde a campanha eleitoral, que não tinha havido corrupção na Petrobras. O petista voltou a repetir isso no último final de semana.
Se nem isso mais causa espanto, também não mais causa mais espanto quando se faz as contas e se constata que o governo gastou R$ 170 bilhões além do arcabouço fiscal.
O país parece ir de crise em crise, política, institucional, ética, moral, que nada resolvem, ficando para depois das próximas eleições enfrentar uma realidade muito difícil: a de um país que cresce muito menos do que precisa, já que gasta mais do que pode.
Está ficando velho sem conseguir ficar rico na comparação internacional, algo que, infelizmente, não parece causar espanto.
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Fonte : CNN