A avaliação dentro do governo brasileiro de que María Corina Machado não teria apoio suficiente para retirar Nicolás Maduro do poder na Venezuela carece de evidências concretas. No entanto, segundo análise de Fernanda Magnotta, no CNN 360°, por falta de mecanismos, não é possível afirmar que ela seja fraca ou que não teria condições de governar a Venezuela. “A gente não tem mecanismos de evidência concreta para fazer essa afirmação de que ela teria ou não teria, eventualmente, apoio, seja popular, seja institucional, para governar”, disse a analista.
Para Magnotta é difícil analisar a Venezuela no atual “apagão de dados” sobre o regime Maduro. “A gente sequer teve condições de aferir quais foram os resultados eleitorais do último pleito que, em tese pela oposição, teria dado ao bloco oposicionista muito mais votos do que ao bloco governista”, explica.
A analista aponta três variáveis fundamentais que precisariam ser esclarecidas antes de qualquer conclusão sobre a força política de María Corina Machado: os dados eleitorais confiáveis, o posicionamento das forças institucionais venezuelanas e o jogo geopolítico internacional.
Segundo Magnotta, seria necessário entender como se reorganizariam as Forças Armadas e outras instituições atualmente aparelhadas por lideranças que apoiam Maduro em um cenário de mudança política. “Além disso, precisaríamos entender qual o jogo geopolítico que vai ser jogado do ponto de vista hemisférico, Estados Unidos principalmente, mas também triangulando com apoios extra-regionais como é o caso da Rússia e o apoio da China”, afirma.
A especialista ressalta que o timing é crucial em análise política. Um apoio irrestrito dos Estados Unidos, em um momento de tensão crescente entre os dois países e de empobrecimento da Venezuela, poderia dar a Machado “uma sobrevida extra” dependendo do arranjo político que se consolidasse.
“Eu diria que sem essas três variáveis claras, nesse momento é preliminar dizer que ela é fraca ou que ela não teria condições de governar”, conclui Magnotta, lembrando que o poder é “uma entidade viva que se movimenta, que se dilui e se recompõe a depender de circunstâncias”.
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Fonte : CNN