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Há três anos, apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) protagonizaram a invasão e a depredação das sedes dos Três Poderes — Palácio do Planalto, Congresso Nacional e Supremo Tribunal Federal — em protesto ao recém-empossado presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Ainda durante a campanha eleitoral de 2022, grupos bolsonaristas instalaram acampamentos em frente ao Quartel-General do Exército, em Brasília, pedindo intervenção das Forças Armadas para manter Jair Bolsonaro (PL) no poder.

 

Com a derrota nas urnas, parte desses apoiadores passou a questionar o resultado eleitoral e, em 8 de janeiro de 2023, avançou sobre a Praça dos Três Poderes em uma ação que marcou a história recente da democracia brasileira. Imagens de manifestantes vestidos de verde e amarelo depredando os prédios do Executivo, Legislativo e Judiciário circularam pelo mundo.

No início da tarde daquele domingo, os grupos caminharam até a Praça dos Três Poderes e enfrentaram uma atuação policial considerada insuficiente para conter a invasão.

No STF (Supremo Tribunal Federal), andares inteiros foram devastados. O plenário da Corte, localizado no térreo, foi completamente destruído: vidraças quebradas, estátuas derrubadas, poltronas arrancadas e móveis despedaçados.

No Congresso Nacional, além da quebra de vidros e móveis, obras de arte foram danificadas ou furtadas. A escultura Bailarina, de Victor Brecheret, que ficava na Câmara dos Deputados, foi levada, e um painel de Di Cavalcanti foi esfaqueado.

O painel de votação foi destruído, o Salão Verde ficou alagado após um princípio de incêndio e presentes de autoridades estrangeiras foram roubados.

No Palácio do Planalto, o governo divulgou nota afirmando que “vândalos destruíram acervo que representa a história da República e das artes brasileiras”. Entre as obras danificadas estava “As Mulatas”, de Di Cavalcanti, principal peça do Salão Nobre, avaliada em cerca de R$ 8 milhões.

Os invasores também derrubaram uma viatura da Polícia Legislativa Federal no espelho d’água do Congresso Nacional. Imagens mostraram o veículo tombado enquanto participantes dos atos tiravam fotos no local.

Lula x Bolsonaro

Horas depois, o presidente Lula fez um pronunciamento responsabilizando Jair Bolsonaro pelos atos antidemocráticos e lembrou a ausência do ex-presidente na cerimônia de transmissão da faixa presidencial.

“Esse genocida não só provocou isso, como, quem sabe, está estimulando ainda pelas redes sociais, lá de Miami onde ele foi descansar. Na verdade, ele fugiu para não me colocar a faixa”, afirmou Lula.

Bolsonaro, por sua vez, declarou que “manifestações pacíficas fazem parte da democracia”, mas disse que “depredações e invasões de prédios públicos, como as ocorridas no dia de hoje, assim como as praticadas pela esquerda em 2013 e 2017, fogem à regra”.

Embora não tenha participado fisicamente dos atos, o STF entendeu que Bolsonaro teve responsabilidade indireta e ativa na tentativa de golpe.

Entre os pontos citados estão a incitação prévia contra o sistema eleitoral, a chamada “minuta golpista” encontrada com o ex-ministro Anderson Torres e a influência de seus discursos sobre os apoiadores. Em setembro de 2025, Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão.

Falhas na segurança

A segurança do Distrito Federal estava sob responsabilidade de Anderson Torres, então secretário de Segurança Pública do DF e ex-ministro da Justiça de Bolsonaro. Policiais militares foram acusados de serem permissivos às invasões, alguns foram flagrados filmando os ataques.

No dia seguinte, a Polícia Federal prendeu Torres por determinação do ministro Alexandre de Moraes. Segundo o magistrado, a invasão só foi possível com anuência ou omissão das autoridades responsáveis pela segurança.

“Na data de hoje, 8/1/2023, a escalada violenta dos atos criminosos resultou na invasão dos prédios, com depredação do patrimônio público, conforme amplamente noticiado pela imprensa nacional, circunstâncias que somente poderia ocorrer com a anuência, e até participação efetiva, das autoridades competentes pela segurança pública e inteligência, uma vez que a organização das supostas manifestações era fato notório e sabido, que foi divulgado pela mídia brasileira”, afirmou o ministro em nota.

Em setembro de 2025, Torres foi condenado definitivamente a 24 anos de prisão em regime fechado.

Condenados pelos atos antidemocráticos

Até o momento, o STF já condenou 810 pessoas pelos ataques de 8 de janeiro. Desse total, 395 foram responsabilizadas por crimes considerados mais graves, enquanto 415 receberam condenações por delitos de menor gravidade. Outras 14 pessoas foram absolvidas.

A Corte enquadrou como crimes mais graves condutas como organização criminosa, tentativa de golpe de Estado e crimes contra o Estado Democrático de Direito.

Além das condenações, o STF homologou 564 acordos de não persecução penal. As medidas incluem prestação de serviços à comunidade e participação em cursos sobre democracia.

Esses acordos resultaram no ressarcimento de mais de R$ 3 milhões aos cofres públicos, destinados à reparação dos danos materiais causados pelos ataques.

Prejuízo milionário

Relatório da Câmara dos Deputados estimou prejuízo superior a R$ 3 milhões apenas com equipamentos destruídos ou danificados. Ao todo, cerca de 400 computadores foram quebrados e 15 obras de arte danificadas.

No Palácio do Planalto, a escultura “O Flautista”, de Bruno Jorge, avaliada em R$ 250 mil, foi encontrada completamente destruída. Uma escultura de parede em madeira de Frans Krajcberg, estimada em R$ 300 mil, também foi quebrada.

A Procuradoria-Geral da República calculou que os danos totais superaram R$ 20 milhões.

Repercussão internacional

Líderes das principais democracias do mundo e presidentes de países latino-americanos condenaram em bloco os ataques às instituições brasileiras. Estados Unidos, França, Reino Unido e Espanha se manifestaram contra as invasões.

O presidente francês Emmanuel Macron afirmou que “a vontade do povo brasileiro e das instituições democráticas deve ser respeitada”. Integrantes do governo dos EUA também condenaram a tentativa de minar a democracia no Brasil.

A imprensa internacional deu amplo destaque aos ataques. O jornal argentino Clarín classificou o episódio como “manifestação violenta”, enquanto o britânico The Mirror destacou a invasão dos prédios públicos por manifestantes vestidos de verde e amarelo.

A BBC descreveu as cenas como “dramáticas”, e a Reuters comparou o episódio à invasão do Capitólio, nos Estados Unidos, em 2021.

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Fonte : CNN

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