O Governo do Maranhão, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (SES), viabilizou no início deste ano um marco histórico: a realização do primeiro transplante de fígado com doador vivo entre pessoas adultas na região Nordeste.
O procedimento aconteceu no Hospital Universitário da Universidade Federal do Maranhão (HU-UFMA) e representa um avanço importante na política pública de transplantes no estado.
A cirurgia envolveu um homem de 55 anos diagnosticado com cirrose hepática avançada. Ele recebeu parte do fígado do próprio irmão, um doador vivo e saudável.
O transplante intervivos é um procedimento em que uma pessoa viva doa parte do fígado para alguém com doença hepática grave. Como o fígado tem capacidade de regeneração, tanto o doador quanto o receptor podem recuperar a função do órgão após a cirurgia.
No caso de adultos, é retirado entre 16% e 70% do fígado do doador, dependendo da necessidade do receptor e das condições clínicas avaliadas previamente.
A cirurgia durou cerca de sete horas, envolveu duas salas cirúrgicas, equipe multiprofissional, estrutura adequada e suporte de UTI no pós-operatório. Devido ao ineditismo na região, a equipe local contou com apoio técnico-científico de profissionais do Rio de Janeiro, incluindo especialistas do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho e do Hospital São Lucas de Copacabana.
O cirurgião responsável técnico pelo Programa de Transplante Hepático do HU-UFMA, Orlando Torres, explicou: “Primeiro, gostaria de agradecer à instituição pelo apoio neste novo projeto. Nossa equipe já vem se capacitando há bastante tempo para dar esse novo passo, inclusive participando de cirurgias no Rio de Janeiro. O método do transplante hepático intervivo é quando um doador vivo doa parte do seu fígado para um receptor com doença hepática crônica e que precisa de um fígado novo”.
Ele também destacou a ampliação do acesso: “O transplante é a principal forma de tratamento do paciente com a hepatopatia crônica no chamado estágio terminal. Pacientes com diferentes causas, como metabólica, alcoólica ou viral, por exemplo, podem ser submetidos ao transplante, quando há indicação. Agora, vamos conseguir ampliar esse acesso. Aqueles para os quais antes dizíamos que não era possível, a tendência é que passem a ter mais oportunidades”.
O secretário de Estado da Saúde, Tiago Fernandes, ressaltou a importância do avanço: “Os investimentos realizados pelo Governo do Maranhão permitem que novas histórias sejam contadas, com continuidade do cuidado e avanços concretos na assistência de alta complexidade. Cada procedimento como esse representa mais dignidade, mais acesso e mais vidas preservadas no nosso estado”.
Já o coordenador da Central Estadual de Transplantes do Maranhão (CET-MA), Hiago Bastos, afirmou: “Esse transplante não é apenas um feito cirúrgico. Ele representa a consolidação de um sistema estadual de transplantes organizado, auditado, seguro e capaz de realizar procedimentos de altíssima complexidade com excelência”.
O Programa de Aceleração de Transplantes do Maranhão promoveu mudanças estruturais importantes, como reorganização da rede especializada, ampliação das comissões hospitalares de transplantes, qualificação de equipes, campanhas de incentivo à doação, regionalização dos serviços, controle de qualidade e criação da Organização de Procura de Órgãos (OPO) no Hospital Dr. Carlos Macieira.
Os resultados já aparecem nos números. O estado registrou aumento de 600% no número de doadores efetivos e crescimento de 370% nos transplantes de órgãos sólidos. Em 2025, foram realizados 657 transplantes: 525 de córneas, 95 de rins, 32 de fígado, um de coração e quatro de medula óssea.
Até então, o HU-UFMA realizava transplantes de fígado com doador falecido desde 2018, aproximando-se da marca de 60 procedimentos desse tipo. Com a realização do transplante intervivos entre adultos, o hospital inaugura uma nova etapa, ampliando as possibilidades de tratamento e oferecendo mais esperança a pacientes que antes precisavam se deslocar para outros estados ou aguardavam longos períodos na fila.
O transplante intervivos é considerado mais complexo porque envolve uma pessoa saudável como doadora. Por isso, exige exames detalhados e protocolos rigorosos para garantir que não haja prejuízo à saúde de quem doa. Ao mesmo tempo, reduz o tempo de espera e aumenta as chances de sobrevivência de quem precisa do órgão, representando uma alternativa segura e eficaz em casos indicados.
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Fonte : CNN